Perfil: Marco Silva volta a Portugal em grande no Estádio da Luz
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Após deixar o clube de Alvalade, na temporada seguinte seguiu a tradição dos treinadores portugueses e venceu o campeonato grego ao serviço do Olympiacos (até hoje o seu maior feito). Contudo, foram os cinco anos passados no Fulham que levaram os responsáveis do Benfica a acreditar que ele era o substituto perfeito para José Mourinho, que não conseguiu recusar o convite do Real Madrid.
Com 48 anos, Marco Silva apenas esteve em condições de disputar títulos importantes em duas ocasiões: no Sporting, onde não conseguiu o título máximo apesar de ter vencido a Taça de Portugal, e no Olympiacos, onde obteve o sucesso esperado. No Benfica, clube que foi campeão pela última vez em 2023 e cujo presidente, Rui Costa, enfrenta forte pressão devido aos maus resultados recentes, a sua margem de erro será pequena.
A trajetória de Marco Silva inclui ainda passagens pelo Estoril Praia (onde passou de jogador a treinador), Hull City, Watford e Everton. Foi nestes clubes de menor expressão que o seu valor mais se destacou, como demonstram dois títulos da segunda divisão, um em Portugal e outro em Inglaterra.
O primeiro desses títulos foi conquistado em 2011/12 ao serviço dos canarinhos, equipa que guiou da segunda divisão até à qualificação para as provas europeias num espaço de tempo recorde. Isto aconteceu depois de ter substituído o brasileiro Vinícius Eutrópio na quinta jornada e de uma breve experiência como diretor desportivo.
Na temporada seguinte, o Estoril Praia foi a grande surpresa do futebol português, ao terminar em quinto na Liga e garantir presença na Liga Europa. Em 2013/14 fez ainda melhor, alcançando o quarto lugar, apenas atrás dos três grandes, repetindo o melhor resultado de sempre dos estorilistas no primeiro escalão.
A rápida ascensão do Estoril Praia chamou a atenção do Sporting. Contudo, Marco Silva não conseguiu lidar com a instabilidade do clube durante a presidência de Bruno de Carvalho, com o terceiro lugar no campeonato e ainda pelo facto de não ter usado o fato oficial numa eliminatória da Taça de Portugal de 2014/15, competição que viria a vencer ao derrotar o Sporting de Braga na final.
Este foi o motivo mais estranho alguma vez usado pelo clube de Alvalade para despedir o treinador por justa causa, a 4 de junho de 2015, um dia antes de Jorge Jesus ser confirmado como novo técnico leonino. Uma história que também não teve um desfecho feliz no conturbado Sporting de Bruno de Carvalho.
Marco Silva não demorou muito a voltar ao centro das atenções, e o Olympiacos foi o veículo perfeito para o conseguir. Depois de Leonardo Jardim e Vítor Pereira, chegou a vez de o novo treinador do Benfica levar o clube do Pireu ao título grego, um feito que Paulo Bento e Pedro Martins (por três ocasiões) também conseguiram.
A 23 de junho de 2016, saiu por vontade própria do seu posto na Grécia e só voltou a treinar em janeiro do ano seguinte, a convite do Hull City, que lutava desesperadamente para se manter na Premier League. A experiência em Inglaterra, embora desejada, mostrou-se muito menos brilhante e Marco Silva não conseguiu evitar a descida de divisão.
O Hull City desceu ao segundo escalão, mas o mesmo não aconteceu com Marco Silva. O seu desempenho foi reconhecido pelo Watford, cujo arranque espetacular na liga inglesa em 2017/18 teve um fim repentino depois de o Everton ter tentado contratar o treinador português. Isto levou ao despedimento de Marco Silva através de um comunicado invulgar, no qual os toffees eram considerados os principais culpados.
Marco Silva acabou por se mudar para o Everton e, depois de um meritório oitavo lugar em 2018/19, nada fazia antever o desastre que se seguiu. A pesada derrota por 5 a 2 frente ao rival Liverpool foi o gatilho para o despedimento do treinador, a 5 de dezembro de 2019, deixando os toffees no 18.º lugar, antepenúltimo da Premier League, em zona de descida.
O treinador português custou a recuperar desta experiência e só voltou ao ativo um ano e meio depois. Aceitou baixar as suas ambições e o Fulham, que jogava na segunda divisão e almejava objetivos mais elevados, pareceu o clube ideal para preparar o regresso ao melhor campeonato do mundo.
A aposta revelou-se acertada: venceu o Championship na época de estreia, em 2021/22, e na temporada seguinte regressou à Premier League, onde se manteve estável nos últimos quatro anos, sem grandes feitos mas também sem problemas (10.º lugar em 2022/23, 13.º em 2023/24 e 11.º em 2024/25 e 2025/26). Esta tranquilidade promete mudar com a mudança para o Estádio da Luz.