Mundial 2026: Olegário Benquerença acha natural Portugal ter árbitro na fase final
O juiz internacional João Pinheiro, de 38 anos, da associação de Braga, juntamente com os assistentes Bruno Jesus e Luciano Maia, foi escolhido para o Campeonato do Mundo de futebol de 2026, que vai decorrer no Canadá, México e Estados Unidos, de 11 a 19 de julho.
Portugal volta assim a ter um árbitro numa fase final, 12 anos depois de Pedro Proença ter apitado três jogos no Mundial de 2014, no Brasil.
“Não acho estranho que haja um árbitro português, visto que o nível da nossa arbitragem é reconhecido pelas entidades internacionais, quer pela FIFA quer pela UEFA”, afirmou Olegário Benquerença, lamentando que em Portugal se “endeusem algumas figuras que pouco mérito têm” e que se “denigra sistematicamente a arbitragem”.
O antigo árbitro da Associação de Futebol de Leiria sublinhou que os juízes portugueses têm mostrado “dentro e fora do país a sua qualidade, sendo que não são infalíveis, erram, tal como os jogadores também erram”.
Referindo que a fase final do Mundial de 2026 conta com mais seleções, Olegário Benquerença observou que é necessário um maior número de árbitros.
“A arbitragem portuguesa teria sempre lugar num grupo restrito. E, neste formato, só uma catástrofe impediria que tivéssemos algum árbitro presente”, defendeu.
Quanto às expectativas sobre o desempenho de João Pinheiro no Mundial deste verão, o antigo juiz de Leiria espera “aquilo que se espera sempre de qualquer árbitro que está no topo da estrutura da arbitragem mundial”.
“João Pinheiro faz parte do grupo de elite e, naturalmente, pode ter atuações menos boas, porque os árbitros cometem erros como os jogadores, mas estando ao seu nível, tenho a certeza de que não nos vai desiludir”, frisou.
Para Olegário Benquerença, estar na fase final de um Mundial de futebol é o “sonho de qualquer árbitro” desde que tira o curso e quando atinge o estatuto de árbitro internacional, “sendo que esse é um privilégio que só está ao alcance de muito poucos”.
Atingir esse patamar é o “equivalente a ser campeão numa equipa ou campeão olímpico para um atleta”.
“É a realização de um objetivo de vida desportiva e, sem dúvida, é o ponto mais alto da carreira de um árbitro”, confessou.
Recordando o Mundial da África do Sul, o ex-árbitro referiu que enfrentou um processo de três anos, desde a pré-seleção até fazer parte dos 24 escolhidos. “É altamente desgastante, demorado, muito exigente e requer trabalho diário para estarmos sempre 100% preparados para alcançar esse objetivo”, explicou.
Ao chegar ao local, os árbitros entravam “num regime de concentração permanente”, no caso de Olegário Benquerença, foram 33 dias na África do Sul.
Sobre as diferenças de atuar nos jogos portugueses e num Mundial, Olegário Benquerença garantiu que “são realidades completamente diferentes”.
“Qualquer liga doméstica tem as suas rivalidades, enquanto um Campeonato do Mundo começa logo por ser uma festa”, disse.
Quando o primeiro pontapé de saída for dado no Mundial 2026, algumas regras da arbitragem serão novas, mas para Olegário Benquerença as mudanças não serão problemáticas.
“A exigência e o estudo são diários. Quando vão apitar, os árbitros já tiveram formação para estarem a par a 100% dessas alterações”, reforçou, acrescentando que “o estudo dos árbitros é contínuo”, pois “há sempre aprendizagens a fazer com situações que ocorreram na jornada anterior”, até porque “nunca existem dois lances iguais” e “cada momento de jogo é único e irrepetível”.
“Portanto, temos de trabalhar sempre para estar preparados para as diferentes situações que possam surgir, até porque temos de decidir naquele momento”, concluiu.