Mundial 2026: Carlos Queiroz conta-se entre os treinadores com mais participações na história

Mundial 2026: Carlos Queiroz conta-se entre os treinadores com mais participações na história

A designação de Carlos Queiroz para o cargo de selecionador do Gana coroa uma carreira pautada pela consistência competitiva, uma longevidade extraordinária e uma presença contínua nos maiores palcos do futebol internacional.

Com este novo projeto, Queiroz reafirma o seu estatuto de um dos treinadores mais experientes do mundo, destacando-se pela aptidão para ajustar as suas equipas a diferentes cenários e convertê-las em conjuntos altamente competitivos, até quando defronta os oponentes mais conceituados.

Na sua trajetória, comandou seleções como Portugal, Irão e Colômbia, deixando sempre uma marca bem definida: equipas estruturadas, disciplinadas no plano tático, coesas e complicadas de enfrentar, até perante rivais tido como superiores.

Agora à frente do Gana, Queiroz pode consolidar um legado edificado com rigor tático inquestionável, adaptabilidade permanente e a hipótese de se tornar um dos treinadores mais vitoriosos na história dos Mundiais, firmando-se como uma das personalidades mais respeitadas do futebol internacional.

Eis os treinadores com mais partidas:

Carlos Alberto Parreira (6 presenças em 1982, 1990, 1994, 1998, 2006, 2010)

Carlos Alberto Parreira permanece uma figura incontornável da prova. Mais do que um treinador, foi um verdadeiro gestor de talentos e de culturas. Orientou cinco países distintos (Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Brasil, Arábia Saudita e África do Sul), encarnando o camaleão tático por excelência. O seu nome ficou gravado a ouro em 1994, quando mostrou que o Brasil podia aliar pragmatismo e identidade, conquistando o Tetra nos Estados Unidos.

Bora Milutinović (5 participações em 1986, 1990, 1994, 1998, 2002)

Bora Milutinović personifica a magia do Campeonato do Mundo. Comandou equipas em cinco edições seguidas (México, Costa Rica, EUA, Nigéria e China). O seu segredo: a simplicidade. Ao chegar a países sem grande tradição, em poucos meses incutiu uma disciplina capaz de abalar os gigantes. Foi o primeiro a provar que, na fase final, a organização mental podia competir, senão mesmo ultrapassar, o talento individual.

Carlos Queiroz (5 presenças em 2010, 2014, 2018, 2022, 2026)

Carlos Queiroz é a personificação da longevidade moderna, um construtor paciente e metódico. Nas suas cinco participações (Portugal, Irão em três ocasiões e agora Gana), distinguiu-se pela capacidade de converter conjuntos tecnicamente modestos em autênticas fortalezas. Em 2026, consagrou-se como o mestre da preparação científica, mostrando que o rigor continua a ser a melhor defesa contra a incerteza do futebol.

Helmut Schön (4 presenças em 1966, 1970, 1974 e 1978)

Helmut Schön é um homem de recordes no banco. Em quatro Mundiais, orientou a Alemanha Ocidental em 25 jogos, um total impressionante que atesta a sua regularidade na chegada à fase final. Estratega por detrás da conquista de 1974, comandou jogadores como Beckenbauer e Gerd Müller com autoridade discreta, mas firme.

Sepp Herberger (4 participações em 1938, 1954, 1958 e 1962)

Sepp Herberger foi o arquiteto do renascimento do futebol alemão. Liderou a seleção nacional durante quatro décadas do período mais conturbado da história do seu país. O seu nome tornou-se lendário em 1954, aquando do famoso "Milagre de Berna", quando a sua perspicácia tática permitiu à Alemanha Ocidental vencer a invencível Hungria. Foi ele quem gravou no ADN alemão a máxima: "o jogo só acaba quando o árbitro apita".

Walter Winterbottom (4 participações em 1950, 1954, 1958 e 1962)

Walter Winterbottom foi o primeiro selecionador oficial de Inglaterra e o arquiteto da modernização do futebol no seu país. Durante 16 anos e quatro Mundiais consecutivos, lutou para que a seleção inglesa rompesse com o isolacionismo e abraçasse as novas tendências mundiais. Embora nunca tenha erguido o troféu, a sua visão estrutural e os seus exigentes padrões de preparação física lançaram as bases para o triunfo da Inglaterra em 1966.

Lajos Baróti (4 presenças em 1958, 1962, 1966 e 1978)

Lajos Baróti foi o guardião do património húngaro após a era dourada de Puskás. Com uma elegância rara e uma disciplina inabalável, Baróti manteve a Hungria entre as grandes potências durante duas décadas. Em quatro participações, afirmou-se como um mestre da transição geracional, conduzindo a sua seleção aos quartos de final em 1962 e 1966, e regressando 12 anos depois para uma experiência final no Mundial da Argentina.

Henri Michel (4 presenças em 1986, 1994, 1998 e 2006)

Henri Michel foi o grande embaixador do estilo francês no mundo, sobretudo no continente africano. Depois de levar a França de Platini ao pódio em 1986, Michel estabeleceu-se como um mestre da adaptação, qualificando Camarões, Marrocos e Costa do Marfim para o Mundial. A sua capacidade de combinar o rigor tático europeu com a criatividade africana fez dele uma figura paternal respeitada em três continentes.

Óscar Tabárez (4 presenças em 1990, 2010, 2014, 2018)

Apelidado de "El Maestro", Tabárez é um modelo de lealdade e reconstrução. Ao contrário dos outros treinadores desta lista, as suas quatro participações foram ao serviço do seu país natal, o Uruguai. Ele não só treinou, como também reformou toda a base do país através do "Processo". Sob o seu comando, a Celeste recuperou a dignidade e o espírito de luta, voltando a ser uma força a ter em conta no cenário mundial, culminando com a histórica meia-final em 2010.

Didier Deschamps (4 presenças em 2014, 2018, 2022, 2026)

Didier Deschamps encarna na perfeição a eficiência e o pragmatismo do século XXI. Depois de ter conquistado o Mundial como capitão, assumiu o comando da França para criar uma verdadeira máquina vencedora. Com um título (2018) e uma final (2022), prepara-se para uma quarta participação em 2026. Deschamps não procura o espetáculo supérfluo, mas sim a arte de gerir os egos e de transformar o talento bruto em feitos históricos.