Mundial-2026: Associação Zero alerta para impacto ambiental do maior torneio de sempre

Mundial-2026: Associação Zero alerta para impacto ambiental do maior torneio de sempre

Num comunicado, a Zero referiu que a competição exemplifica as dificuldades em conciliar "a crescente dimensão dos megaeventos internacionais com os objetivos globais de sustentabilidade e de combate às alterações climáticas".

Recorde-se que este será o maior Mundial de sempre, com 48 seleções nacionais a disputar um total de 104 jogos em 16 cidades de três países, e a associação está certa de que "a dimensão geográfica do torneio e o elevado número de participantes e espetadores tornarão este campeonato um dos eventos desportivos com a maior pegada ambiental alguma vez realizados".

Embora muitos estádios já existam e a construção de novas infraestruturas seja limitada, as estimativas indicam emissões totais entre cerca de oito e nove milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente, "um valor que se aproxima de um quinto do valor anual das emissões de Portugal".

Para a Zero, estamos perante "um aumento muito significativo face aos anteriores campeonatos do mundo, refletindo sobretudo a expansão do torneio e a dispersão geográfica das cidades anfitriãs".

Por exemplo, a distância entre Vancouver, no Canadá, e Miami, nos Estados Unidos, ultrapassa os 4.500 quilómetros.

"Esta realidade implica que milhões de adeptos, jornalistas, equipas técnicas, patrocinadores e elementos da organização recorrerão inevitavelmente ao transporte aéreo, que é responsável pela esmagadora maioria das emissões", alerta a associação.

Estima-se que entre 85% e 90% da pegada carbónica do torneio resulte precisamente das deslocações de participantes e adeptos.

A Zero alerta ainda que algumas cidades onde se vão disputar os jogos, como Miami, Houston, Dallas, Monterrey ou Guadalajara, são muito quentes nesta época do ano, aumentando o risco de elevado stress térmico com efeitos na saúde e no rendimento físico dos atletas.

Deste modo, requerem-se medidas adicionais de adaptação como "alterações de horários, reforço dos sistemas de arrefecimento, criação de zonas de sombra e hidratação, bem como um maior consumo de energia para climatização dos estádios, espaços interiores e infraestruturas de apoio".

Os efeitos ligados ao aumento do consumo de água, à produção de resíduos urbanos, à utilização intensiva de recursos e à pressão sobre os transportes e serviços urbanos das cidades são ainda referidos pela Zero na nota de imprensa.

Num planeta sob ameaça, a associação de ambiente destaca a contradição entre a dimensão dos eventos globais e as metas de redução das emissões do Acordo de Paris, mas também "a desigualdade causada pelos elevados preços dos bilhetes" praticados pela FIFA.

A organização do Mundial 2030 em Portugal, Espanha e Marrocos deveria envolver, para a Zero, uma aposta na "mobilidade ferroviária e coletiva, utilização de energia renovável, gestão eficiente da água e dos resíduos e definição de metas transparentes de redução de emissões".

"Eventos internacionais de grande escala podem efetivamente reduzir os desafios ambientais, particularmente os climáticos, e da sustentabilidade em geral, como já sucedeu com alguns casos anteriores de edições dos Jogos Olímpicos nalgumas cidades", acrescenta o comunicado.