Mundial 2026: O tricampeonato de Pelé, o solo de Maradona e a resiliência de Messi

Mundial 2026: O tricampeonato de Pelé, o solo de Maradona e a resiliência de Messi

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Em todas as comparações e debates, Pelé, que faleceu pouco após o título de Messi em 2022 (aos 82 anos), recordava sempre com orgulho que apenas ele vencera o torneio por três vezes. Esse feito, juntamente com mais de mil golos, incluindo jogos de exibição, valeu-lhe a alcunha de rei.

Campeão em 1958, 1962 e 1970, o brasileiro foi durante muitos anos inquestionável, até ao aparecimento do também falecido Diego Armando Maradona (morte em 2020, apenas com 60 anos). Em 1986, praticamente sozinho, no sentido mais literal da expressão, carregou a Argentina ao título, algo que nenhum outro mortal havia feito.

A partir daí, Maradona, que também foi vice-campeão em 1990, começou a disputar com Pelé o trono do futebol, até que, já no século XXI, surgiu outro génio argentino, Lionel Messi, que lutou intensamente até à consagração definitiva no Mundial de 2022.

Os três ocupam, indiscutivelmente, o pódio do futebol mundial e da história da principal competição. Messi, atualmente com 38 anos, ainda pode engrandecer a sua lenda na edição de 2026, que será a sua sexta presença numa fase final.

As opiniões divergem sobre quem é o melhor, mas isso não passa de discussões infindáveis e inconclusivas, já que as emoções e as memórias, mais ou menos distorcidas, se sobrepõem sempre e são muito mais fortes do que os números e os factos.

Nascido em Três Corações, Brasil, a 20 de outubro de 1940, Pelé foi o primeiro a surgir e apresentou-se ao mundo com apenas 17 anos, idade com que encantou no Mundial de 1958, sendo um dos grandes responsáveis pelo primeiro título da seleção brasileira.

Doze anos depois, já com 29 anos, consagrou-se definitivamente no México, sagrando-se tricampeão, com quatro golos em seis partidas, após as lesões o terem impedido de brilhar em 1962, quando o Brasil foi bicampeão, e em 1966, quando foi eliminado na primeira fase, também devido a Portugal e a Eusébio.

Para alcançar o tricampeonato, Pelé contou, no entanto, com um conjunto de grandes jogadores, como Garrincha, Didí, Vavá, Gilmar, Djalma Santos, Zagallo, Amarildo, Carlos Alberto, Jairzinho, Tostão, Rivelino e Nilton Santos.

Bem diferente foi a história de Maradona, nascido em Lanús, Argentina, duas décadas depois, a 30 de outubro de 1960. Ele conquistou apenas um título, mas sem grandes estrelas ao seu lado, ele contra o mundo, como sempre, dentro e fora do campo.

Aos mesmos 17 anos com que Pelé começou a consagrar-se na Suécia, Maradona, já considerado um craque, ficou de fora das escolhas de Menotti para a edição de 1978, que os argentinos venceram em casa. Na sua estreia, em 1982, não teve sorte, sendo eliminado pelo Brasil e pela Itália.

Contudo, o 'pibe de ouro' mostrou todo o seu esplendor em 1986, no México. Num único jogo contra a Inglaterra, marcou dois dos golos mais emblemáticos da história: um com a 'mão de Deus', como ele próprio a apelidou, e outro depois de fintar mais de meia equipa inglesa.

Maradona voltou a brilhar contra a Bélgica, marcando dois golos nas meias-finais. Na final diante da RFA, conseguiu escapar à implacável marcação de Matthäus e lançar Burruchaga para o 3-2 final, depois de os alemães terem recuperado de 0-2 para 2-2.

Em 1990, com uma equipa ainda mais frágil, o camisola 10 conseguiu levar a seleção até à final. No entanto, com a equipa debilitada pelos cartões nas famosas meias-finais contra a Itália, em Nápoles, não conseguiu o milagre. Em 1994, entrou em grande estilo mas saiu pela porta pequena, expulso por doping.

Se Pelé se consagrou logo na sua primeira participação e Maradona na segunda, Messi, nascido em Rosário a 24 de junho de 1987, teve de esperar pela quinta para finalmente conquistar o título mundial e fechar o círculo de uma carreira ímpar.

Ainda jovem, marcou na estreia, mas jogou pouco na campanha da Argentina, que foi eliminada em 2006 pela Alemanha nos quartos de final. Em 2010, orientado por Maradona, voltou a cair nos quartos frente aos alemães, que golearam por 4-0.

Em 2014, no Brasil, chegou à final, mas voltou a esbarrar nos alemães, que venceram por 1-0, após prolongamento. Em 2018, caiu ainda mais cedo, nos oitavos de final, frente à França (3-4), que se sagraria campeã na Rússia.

Messi encarou depois a edição de 2022 como se fosse a sua última oportunidade. No Catar, conduziu a Argentina ao título, com sete golos e três assistências, como líder de uma equipa onde todos queriam muito ganhar também por ele.