Mundial 2026: Donos de camarotes no Estádio Azteca ameaçam aderir a protestos

Mundial 2026: Donos de camarotes no Estádio Azteca ameaçam aderir a protestos

“Ficou muito evidente como se recusaram a cumprir uma ordem judicial, como o afirmaram de forma direta e clara: 'Estamos sujeitos às regras da FIFA e não às do México'. Essa é a razão central da nossa luta, não permitir que uma entidade estrangeira nos imponha o que fazer no nosso país”, afirmou na quarta-feira Roberto Ruano, porta-voz da Associação Mexicana dos Titulares de Palcos e Tribunas (AMTPP, na sigla em espanhol), aos jornalistas, em frente ao Estádio da Cidade do México (antigo Estádio Azteca).

O porta-voz acrescentou que é fundamental “defender e respeitar o Estado de direito” no país, criticando a postura da Guarda Nacional por estar a “proteger a FIFA”, apesar de “existir um contrato” e uma ordem judicial que o sustenta.

Assim, os empresários que detêm as tribunas no principal estádio de futebol do país ameaçaram juntar-se hoje às manifestações para boicotar o início do Campeonato do Mundo de futebol, às 13:00 locais (20:00 em Lisboa), com um jogo entre as seleções mexicana e sul-africana.

Em causa está uma disputa entre a FIFA e os detentores das tribunas nos estádios de futebol do México, que assinaram um contrato com o Governo e com os proprietários dos recintos desportivos, onde se estipulava que, durante 99 anos, os investidores teriam acesso total e sem restrições às tribunas que lhes foram atribuídas por terem contribuído para a construção dos estádios desportivos.

O contrato não incluía cláusulas que impedissem a utilização destes espaços e os empresários já tinham usufruído destas tribunas no Mundial de 1986.

No entanto, a FIFA, que gere os estádios durante o campeonato tripartido entre México, Estados Unidos e Canadá, impediu a entrada dos empresários nos espaços, o que originou uma disputa judicial.

Em 12 de maio, a juíza do Supremo Tribunal de Justiça Concepción Martín Argumosa decidiu a favor dos empresários, considerando que a lei mexicana devia ser respeitada e que o contrato em causa não continha cláusulas que proibissem o acesso às tribunas pelos seus detentores, e que a FIFA queria alugar para os jogos que se realizam no principal estádio do país.

A decisão do Supremo também determinava que os detentores das tribunas poderiam consumir alimentos e bebidas próprios.

A FIFA recorreu da decisão e, na terça-feira, o juiz federal Oswaldo López Arellanos determinou que, apesar de ser permitido o acesso aos recintos, todos os que entrassem, independentemente do tipo de acesso, tinham de consumir alimentos e bebidas disponibilizados nos pontos de venda da FIFA e não poderiam entrar com os seus próprios veículos.

“É permitido que se continue com a preparação, desenvolvimento e conclusão de todos e cada um dos eventos que devem realizar-se no Estádio (...), a direção desse estádio comprometeu-se com as normas que, no momento adequado, a FIFA emitiu”, declarou o juiz na decisão divulgada.

No entanto, os empresários foram impedidos de aceder às áreas que lhes correspondiam na tarde de quarta-feira por elementos de segurança contratados pela FIFA.