Espírito do Futebol: O regresso do império e a última dança de Ronaldo - Espanha e Portugal sedentos de sucesso
Espanha
Depois da saída da geração dourada de David Villa e de Xavi, a Espanha passou por 12 anos de doloroso silêncio e sofrimento no futebol, durante os quais sofreu derrota atrás de derrota nos grandes torneios. "O tiki-taka morreu", diziam os críticos após as eliminações vergonhosas frente à Rússia ou Marrocos. Mas tudo mudou com a chegada do discreto estratega Luis de la Fuente. "Mudou o ambiente na equipa e conseguiu unir jogadores e rivais de diferentes clubes espanhóis numa só equipa. E isso é o mais importante", descreve a transformação o antigo excelente defesa espanhol Iván Helguera.
De la Fuente devolveu à equipa a confiança perdida e apresentou ao mundo um estilo de jogo baseado numa verticalidade mais direta. Os espanhóis continuam a dominar o meio-campo com mestria, mas agora apostam na velocidade explosiva das alas jovens, lideradas pelo inatingível Lamine Yamal. Que esta atualização tática funciona na perfeição ficou já demonstrado no Euro-2024, que a Espanha conquistou sem sofrer uma única derrota, com sete vitórias consecutivas, e conta ainda com uma geração muito jovem no seu núcleo. "Mas atenção, são jogadores já calejados e que certamente aguentam a pressão do momento," alerta o especialista espanhol do Flashscore César Suárez. A seleção espanhola já não vence apesar da sua juventude, mas sim graças a ela, o que a torna uma ameaça mortal para qualquer adversário. "É um dos maiores favoritos, com grande vantagem," concorda Helguera.
Portugal
No campo português, tudo gira em torno do homem que se prepara para disputar o seu sexto Campeonato do Mundo, Cristiano Ronaldo. Aos 41 anos, enfrenta uma onda de dúvidas sobre se ainda pode ser o centro do jogo da equipa, já que a sua passagem pela Arábia Saudita não o prepararia devidamente para um torneio deste nível. No entanto, Ronaldo sempre conseguiu calar os críticos ao longo da sua carreira. "Continua a ser o jogador mais importante, o capitão, com uma responsabilidade enorme. Tenham em conta que os defesas de elite se preparam para o enfrentar como se ele tivesse 20 anos," sorri Maniche, antigo excelente médio português, no primeiro episódio. O famoso número sete não vai ao Mundial para se despedir, mas sim para vencer.
Portugal conta ainda com aquela que é provavelmente a melhor geração de jogadores da sua história. Estrelas como Bruno Fernandes, Bernardo Silva, Vitinha e Rúben Dias tornam a equipa muito menos dependente do próprio Ronaldo, o que a torna ainda mais perigosa. Além disso, todo o grupo será impulsionado por fortes emoções, pois vão jogar em homenagem ao colega tragicamente falecido Diogo Jota, o que, segundo os especialistas, dará à equipa uma enorme força interior nos momentos decisivos. "Nos momentos-chave do torneio isso pode mesmo fazer a diferença, vão jogar pelo Diogo," concorda o especialista português do Flashscore André Guerra. "Se os egos ficarem em segundo plano e se formar um verdadeiro coletivo, temos hipótese de ir muito, muito longe," conclui Maniche.
Não perca o episódio completo no nosso canal de YouTube, onde o esperam análises táticas aprofundadas e histórias marcantes de ambas as equipas, que vão moldar o desenrolar de todo o torneio. Já amanhã, no canal, poderá ver o episódio dedicado às histórias de Inglaterra e Alemanha.