Mundial 2026: Hossam Abdelmaguid (Egipto) preparado para realizar 'sonho de infância'

Mundial 2026: Hossam Abdelmaguid (Egipto) preparado para realizar 'sonho de infância'

Após vencer o campeonato egípcio ao serviço do Zamalek, Abdelmaguid pretende ajudar a seleção de Hossam Hassan a conseguir mais do que apenas ganhar um jogo no Mundial pela primeira vez.

"O Mundial era um sonho para mim porque o meu irmão mais velho falava-me do torneio quando eu era criança. Lembro-me de lhe dizer que um dia iria jogar no Mundial", contou Abdelmaguid à Reuters, numa entrevista via Zoom.

"Mas não esperava concretizar esse sonho de infância tão rapidamente, apenas três anos depois de chegar à equipa principal", acrescentou.

O Egipto está no Grupo G com a Bélgica, a Nova Zelândia e o Irão, um sorteio que aumentou as esperanças entre os seus adeptos de uma campanha de destaque no Mundial.

No entanto, Abdelmaguid afirmou que a equipa não se deixará pressionar pelas expectativas.

"É isto que os adeptos esperam de nós, e é o seu direito. Também é nosso direito ambicionar chegar à fase a eliminar", disse.

"Todo o adepto tem o direito de sonhar em vencer o torneio, mas cada equipa tem as suas próprias circunstâncias. Acredito que podemos passar a fase de grupos e ir longe no Mundial. Queremos vencer todos os jogos e, se não conseguirmos ganhar, então pelo menos não perder. Estamos a tentar dar tudo o que podemos", acrescentou.

Abdelmaguid acredita que o plantel tem qualidade para competir, com jogadores como o avançado do Manchester City, Omar Marmoush, Mohamed Salah, que está de saída do Liverpool, e o promissor avançado de 18 anos do Al Ahly, Hamza Abdelkarim, que está emprestado ao Barcelona.

"O Hossam Hassan motiva-nos sempre e diz-nos que somos capazes, o que nos dá confiança de que podemos alcançar algo pelo Egipto", acrescentou Abdelmaguid.

Incerteza em torno do Irão

Havia dúvidas sobre a participação do Irão no torneio devido às tensões no Médio Oriente, com Teerão a pedir que os seus jogos fossem transferidos dos Estados Unidos, mas o presidente da FIFA, Gianni Infantino, afirmou que o calendário se manterá inalterado.

Questionado sobre o impacto da situação do Irão na sua preparação para o Mundial, Abdelmaguid respondeu: "Não me concentrei nessas notícias e isso não tem nada a ver connosco. Podia estar a pensar em defrontar o Irão e acabar por perder com a Bélgica."

O Egipto vai defrontar três equipas que contam cada uma com um avançado fisicamente forte, o que deixa ao alto Abdelmaguid a provável tarefa de lidar com o belga Romelu Lukaku, o neozelandês Chris Wood e o iraniano Mehdi Taremi.

Abdelmaguid afirmou que começou a preparar-se cedo, estudando os avançados, acrescentando: "Todos eles são jogadores de topo, mas isso não significa que os tema, porque jogo pelo Egipto... Foco-me nos detalhes e vejo os seus vídeos com o meu analista de desempenho, assim como em sessões com o Hossam Hassan."

Capitão Hossam

Hossam Hassan tornou-se o primeiro egípcio a chegar ao Mundial como jogador e treinador, tendo marcado o golo que garantiu a qualificação em 1990 antes de liderar novamente a equipa, 36 anos depois, para uma quarta presença.

Abdelmaguid sente que a experiência de Hossam Hassan no Mundial, juntamente com o irmão do treinador, Ibrahim, diretor da equipa, deu aos jogadores um impulso significativo e ajudou-os a adaptar-se ao ambiente do torneio global.

"Ele é o Capitão Hossam antes de ser o selecionador nacional. O mesmo se aplica ao Capitão Ibrahim. Não o vemos apenas como um treinador que um dia virá e partirá. É diferente. Estamos felizes por ter alguém com o seu historial connosco. Para além do lado técnico, transmite-nos confiança através da sua experiência, e isso ajuda-nos a ter sucesso", disse Abdelmaguid.

O antigo avançado Hassan esteve envolvido no único grande destaque do Egipto em Mundiais, ao conquistar um penálti tardio no empate 1-1 frente aos Países Baixos, então campeões europeus.

"O futebol mudou desde então, mas o ambiente mantém-se igual. No jogo com os Países Baixos, enfrentou jogadores de topo como (Marco) van Basten, (Ruud) Gullit e (Ronald) Koeman em igualdade de circunstâncias, e é isso que ele nos transmite", acrescentou Abdelmaguid.