Ofertas pelo complexo desportivo do Boavista ultrapassam valor mínimo em leilão
Desde 20 de abril, o estádio e o complexo dos axadrezados estiveram à venda de forma eletrónica no site oficial da Leilosoc, mas apenas o segundo imóvel recebeu propostas acima do valor mínimo estipulado.
Uma proposta de 6,5 milhões de euros (ME) foi suficiente para ultrapassar os 5,9 ME definidos para o complexo desportivo, que podia ser vendido isoladamente ou em conjunto com o Estádio do Bessa. O valor mínimo deste último estava fixado em 27 ME, mas não houve qualquer licitação.
Já o pacote completo dos imóveis estava avaliado num mínimo de 32,9 ME, valor mais elevado do que os 25,7 ME da melhor proposta registada, que será agora sujeita a análise nos próximos dias, conforme adiantou uma fonte da Leilosoc.
“O complexo ainda não está vendido. Aguardamos que a proposta para adquirir os dois lotes seja aceite. O facto de não ter alcançado o valor mínimo não significa que não possa ser aceite. Há um período de reflexão de quase uma semana. Os credores serão notificados do resultado do leilão e decidirão se aceitam o montante oferecido. Se assim for, a venda isolada do complexo é cancelada e o conjunto é vendido em detrimento das partes”, explicou, sem revelar a identidade dos licitadores.
Em abril, uma loja e 28 garagens foram vendidas no leilão do Boavista, pelos valores de 181.000 euros e entre 16.050 e 42.300 euros, respetivamente. Já os dois apartamentos perto do Estádio do Bessa, um T1 duplex e um T2, continuam com propostas abaixo do valor mínimo, depois de terem sido novamente colocados em hasta pública até ao mês passado.
O leilão realiza-se na sequência da insolvência do Boavista, cuja liquidação foi aprovada em setembro de 2025, depois de acumular dívidas superiores a 150 ME, situação que a SAD axadrezada já enfrentava em maio.
A direção do clube, liderada por Rui Garrido Pereira, tentou impugnar o leilão, mas o pedido foi rejeitado pelo Tribunal de Comércio de Vila Nova de Gaia, que exigiu alterações no procedimento da hasta pública. O prazo inicial de conclusão, que era 20 de maio, foi prolongado até hoje.
Em declarações à Lusa, Rui Garrido Pereira afirmou que, entre as propostas entregues, se encontram as de “investidores que têm colaborado com a direção na elaboração de uma solução de recuperação” para o Boavista.
“Neste momento, não se justificam mais comentários sobre o processo em curso. O trabalho continua com total dedicação à defesa dos interesses do clube e na busca das melhores soluções para o seu futuro”, declarou o dirigente, que prestará novos esclarecimentos oportunamente.
No mês passado, já depois de o tribunal ter indeferido o pedido de impugnação da venda do património imobiliário do clube, a direção do Boavista anunciou ter chegado a um acordo com a empresa espanhola Sacyr, principal credora no processo de insolvência, para a compra do respetivo crédito.
A venda judicial foi também contestada pela claque Panteras Negras, o grupo organizado de adeptos axadrezados mais representativo, enquanto a Câmara Municipal do Porto se recusou a intervir para travar o processo, remetendo a resolução da situação para os órgãos sociais das panteras.
Reinaugurado em 2003 e encerrado há um ano por ordem das autoridades, o Estádio do Bessa foi um dos dez recintos utilizados por Portugal na organização do Euro2004. Com uma área de quase 78 mil metros quadrados, é o principal ativo imobiliário do Boavista.
A Boavista SAD foi relegada para a Liga 2 em maio de 2025, após 11 temporadas consecutivas no primeiro escalão. O clube é um dos cinco campeões nacionais da história, graças ao título conquistado em 2000/01.
Os problemas financeiros acabaram por impedir o licenciamento das panteras para as provas organizadas pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) e pela Federação Portuguesa de Futebol (FPF), deixando-as sem equipa profissional no verão. Entretanto, foram relegadas administrativamente para o escalão principal da associação do Porto.
A Boavista SAD jogou em 2025/26 como anfitriã no Parque Desportivo de Ramalde, a 2,5 km do Estádio do Bessa, e foi relegada para a segunda divisão distrital a seis jornadas do final, tendo acumulado cinco impedimentos de inscrição de novos futebolistas junto da FIFA.