Mundial 2026: México garante que abertura decorrerá "em paz"

Mundial 2026: México garante que abertura decorrerá "em paz"

Os acessos à praça central do Zócalo, na Cidade do México, onde estará montada a maior fan fest do país, estão bloqueados por barreiras metálicas, constatou um jornalista da AFP. Dezenas de pessoas faziam fila para passar pelos controlos e chegar aos locais de trabalho, afetados pelos encerramentos.

O Governo da presidente Claudia Sheinbaum mantém um diálogo aberto com um grupo dissidente do sindicato da educação, a CNTE, que reclama um aumento salarial e a revogação de uma lei das pensões.

Aos professores juntaram se esta segunda feira centenas de estudantes da Escola Normal de Ayotzinapa, em Guerrero (sul), para exigir respostas pelo desaparecimento de 43 dos seus colegas em setembro de 2014, um caso que gerou indignação mundial.

Uma dúzia de autocarros carregados de jovens, familiares dos desaparecidos e também de professores dissidentes chegou à capital. Num deles foram apreendidos 59 engenhos explosivos artesanais, informou a Polícia.

Na semana passada, a megaurbe assumiu contornos caóticos devido aos constantes bloqueios de rua dos professores, que ainda derrubaram estátuas alusivas a jogadores do torneio de futebol e ameaçam com um protesto multitudinário para o início do Mundial, na quinta feira, no Estádio Azteca, ao qual estão convocados familiares de pessoas desaparecidas.

"Vamos garantir que a celebração da abertura do Mundial decorra bem, em paz e com tranquilidade", afirmou Sheinbaum na sua habitual conferência de imprensa matinal.

Justificou os bloqueios ao Zócalo como uma medida para "não cair em provocações" de reprimir as mobilizações.

O México organiza pela terceira vez um Mundial de futebol, desta vez em conjunto com os Estados Unidos e o Canadá.

O evento, que atrai a atenção de todo o mundo, é uma ocasião propícia para "gerar pressão" sobre o governo, disse à AFP Dinora Díaz, uma professora de 42 anos num acampamento montado pelos grevistas a poucos quarteirões do Zócalo.

"Queremos trabalhar!"

Sobre uma das barreiras azuis, cobertas com todo o tipo de inscrições, um restaurante colocou um pequeno cartaz de papel cor de rosa escrito à mão: "Há serviço".

Cerca de 50 pessoas faziam fila a meio da manhã para atravessar o bloqueio. A algumas ruas dali, uma centena de comerciantes contestava a medida, que, segundo a câmara que os representa, já provocou perdas de 642,5 milhões de pesos, cerca de 32 milhões de euros.

"Queremos trabalhar!", gritavam. "Fora as barreiras", "as barreiras não pagam o meu salário", acrescentavam.

Sheinbaum pediu paciência enquanto decorre a negociação.

"Com o Mundial esperávamos muitas vendas, tínhamos expectativas muito altas", lamentou José Luis Leyva, de 46 anos, gerente de um restaurante.

"O acesso ao nosso restaurante está fechado, as pessoas não chegam, os turistas estão assustados", disse Jonathan Herrera, empregado de mesa de 31 anos que protesta contra os encerramentos de ruas noutra das principais avenidas, juntamente com colegas e comerciantes.

Entre o burburinho das manifestações, Heather Lutz, uma turista norte americana de 64 anos, disse que, como educadora, compreende os protestos.

"A nenhum governo agrada que as cidades mostrem como realmente são" durante grandes eventos como o Mundial, referiu.

Negociação

O gabinete de Sheinbaum detalhou na conferência de imprensa as suas propostas à CNTE, desde o desenho de um novo mecanismo de atribuição de vagas laborais até à proposta de criar uma seguradora pública que administre as pensões dos professores aposentados.

O governo, no entanto, advertiu que revogar a lei das pensões em vigor, como exige o sindicato, é inviável e implicaria um custo equivalente a cerca de 400 mil milhões de dólares (aproximadamente 346 mil milhões de euros), explicou Martí Batres, diretor do instituto de segurança social para os funcionários públicos.

O sindicato rejeitou as propostas do Governo, enquanto a secretária de Estado da Administração Interna, Rosa Icela Rodríguez, apelou aos grevistas para levantarem os bloqueios e regressarem às aulas.