Exclusivo com Goycochea: "Este Brasil não faz jus à história da Seleção"

Exclusivo com Goycochea: "Este Brasil não faz jus à história da Seleção"

"Argentina chega em boa forma para defender o título"

Gostaria que comentasse a sensação de estar aqui no Azteca. Imagino que, para um argentino, estar neste estádio traga sempre uma memória muito positiva.

É uma recordação extremamente positiva para nós, argentinos. Foi aqui que a Argentina conquistou a segunda estrela, com tudo o que isso significou para Diego Maradona, com o golo do século (...) Guardamos muitas boas recordações desse Mundial. A Argentina não vai jogar neste estádio agora, mas é crucial chegar como atual campeã.

Queria também perguntar-lhe sobre os guarda-redes brasileiros. O Brasil tem Weverton, Alisson e Ederson, e há alguma polémica no país em torno dos três. Qual é a sua opinião sobre os guarda-redes brasileiros?

Sim, há muita polémica, mas acho que qualquer um deles tem capacidade para jogar. Para mim, em particular, é indiferente, porque são três guarda-redes com muita experiência e com carreiras consolidadas. Hoje isso já não faz assim tanta diferença. Caberá a Ancelotti escolher quem é o melhor para a baliza do Brasil.

Qual é a sua opinião sobre o Brasil neste Mundial? Tem Ancelotti no comando e existe a possibilidade de Neymar regressar e recuperar a tempo.

Costumo afirmar, e não o digo por estar agora a falar com um meio de comunicação brasileiro, que o Brasil é sempre Brasil. Considero que o Brasil não está ao nível da história da seleção, mas o que nos faz pensar que esta equipa será fácil de derrotar? Quando analisamos outras seleções que, por vezes, dispõem de menos argumentos do que o Brasil, dizemos: "atenção, este é um adversário muito difícil". Então, temos de reconhecer que o Brasil também é difícil, sim. O Brasil tem história e é necessário respeitá-lo.

E a Argentina? Como a vê neste momento?

A Argentina está preparada para defender o título. A equipa tem alguns jogadores fisicamente desgastados, mas dispõe de uma base muito sólida, com 16 ou 17 campeões mundiais. Isso demonstra a longevidade do trabalho. Quando começa a verdadeira competição, em eliminatórias, é uma equipa muito difícil de superar. É necessário fazer tudo muito bem para ultrapassar a Argentina. Essa é a nossa confiança.

Depois, como costumamos dizer, isto é futebol. Em 1990, o Brasil fez tudo o que estava ao seu alcance, mas nós, numa ou duas oportunidades, apontámos o golo da vitória. Se jogássemos mais dez vezes, talvez o Brasil vencesse nove e a Argentina apenas aquela. Mas o adepto argentino está sossegado hoje, porque sabe que o país tem uma verdadeira equipa.