Mundial-2026: Mariano Barreto afirma que Carlos Queiroz está concentrado em reunificar o Gana
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“Ele terá apenas dois encontros de preparação, o que é muito escasso, e procurará confirmar informações para formar um grupo e implementar um plano de acordo com os atletas. Alguns deles, como Antoine Semenyo e Jordan Ayew, militam em clubes de prestígio, já possuem uma bagagem tática consolidada e podem facilitar a transmissão da mensagem do selecionador”, afirmou à Lusa o treinador de 69 anos, que comandou os ‘black stars’ em 2004 e contribuiu para a sua primeira qualificação para um Mundial.
A 23.ª edição do Campeonato do Mundo decorre entre 11 de junho e 19 de julho, contando pela primeira vez com 48 seleções, entre as quais Portugal, num total de 104 jogos, sob a inédita organização conjunta de Estados Unidos, México e Canadá.
Carlos Queiroz, de 73 anos, é o único técnico português em competição e estará pela quinta vez numa fase final, depois de 2010 com Portugal e de 2014, 2018 e 2022 com o Irão. Com isto, igualará o registo de presenças consecutivas do sérvio Bora Milutinović (o brasileiro Carlos Alberto Parreira detém o máximo global de seis participações, mas não consecutivas).
“Primeiro, precisa de avaliar esta seleção a nível individual e coletivo. Depois, não se poderá afastar muito do passado recente. O desafio será construir um onze com jogadores oriundos de diferentes realidades. Um dos grandes objetivos é unir uma equipa que está fragmentada, não por conflitos entre os atletas, mas porque a mensagem não estava a ser assimilada com o anterior treinador (Otto Addo)”, explicou.
O Gana vai defrontar a Inglaterra, campeã mundial em 1966, a Croácia, vice-campeã em 2018 e terceira classificada em 1998 e 2022, e o regressado Panamá no Grupo L do Mundial-2026, tendo convocado figuras como o capitão Jordan Ayew, Antoine Semenyo, Iñaki Williams ou Thomas Partey.
Numa competição em que os dois primeiros classificados de cada um dos 12 grupos e os oito melhores terceiros se apuram para os dezasseis avos de final, os ‘black stars’, cujo melhor resultado são os quartos de final em 2010, procuram ultrapassar a fase de grupos pela terceira vez, apesar das baixas dos lesionados Mohammed Salisu e Mohammed Kudus.
“Todos os que seguem futebol reconhecem que Inglaterra e Croácia são, à partida, favoritas aos dois primeiros lugares. Contudo, isso tem de ser confirmado no terreno e fará com que os ganeses acreditem que podem conseguir bons resultados. Eles possuem jogadores capazes e com qualidade para formar uma equipa, não necessariamente à imagem de Carlos Queiroz, pois o tempo não o permitirá, mas que seja sólida dentro destes condicionalismos”, analisou.
Antigo preparador físico do Sporting, onde trabalhou com Carlos Queiroz entre 1993/94 e 1995/96, Mariano Barreto recorda que o novo técnico do Gana tem experiência em assumir uma seleção a apenas dois meses do Mundial, tal como sucedeu em 2022 com o Irão, “embora aí houvesse muito mais conhecimento”, devido à sua primeira passagem pelos persas, entre 2011 e 2019.
“Os ganeses, como alguns povos africanos, são de extremos. Neste momento, estes jogadores são vistos como heróis, pois poucos ou ninguém lamentou a demissão do anterior selecionador. Foi o mesmo que, há alguns anos, muitos idolatravam como alguém que tinha restituído a honra ao Gana, por ser ganês, e que os fez reencontrar a sua identidade”, ilustrou.
Ex-treinador do Marítimo, Naval 1.º de Maio e Belenenses, bem como dos ganeses do Asante Kotoko, entre outros clubes portugueses e estrangeiros, Mariano Barreto atesta a confiança em torno dos black stars, que não participavam em Mundiais consecutivos há 12 anos nem marcaram presença na Taça das Nações Africanas (CAN) de 2025.
“Ninguém acredita que o Gana não vá ficar, pelo menos, em terceiro no grupo. Caso não o consiga, é como se o céu caísse. Apesar da informação e da participação em ações de formação no estrangeiro, os dirigentes não conseguem promover uma visão de futuro em África. Não por falta de vontade, mas devido à pressão, que é imensa. Esta forma de idolatria é positiva quando se vence, mas, na derrota, é muito complexa”, alertou.
Em duas das quatro presenças anteriores em Mundiais, o Gana, campeão africano em 1963, 1965, 1978 e 1982, perdeu frente a Portugal nas fases de grupos de 2014 e 2022, com Mariano Barreto a ver condições para os lusos melhorarem a terceira posição alcançada na estreia, em 1966.
“Qualidade não falta. Podemos pensar que, se Cristiano Ronaldo tivesse menos cinco ou seis anos, quase seríamos campeões do mundo, pois existe maturidade e jogadores com hábitos de vitória nos seus clubes, algo que dificilmente tem paralelo noutras seleções. Gostaria que Portugal conseguisse, pelo menos, terminar entre os quatro primeiros. Seria um prémio justo para alguns que vão terminar a carreira na seleção”, rematou.