Mundial-2026: Colômbia, adversária de Portugal, confia o seu destino a Luis Díaz

Mundial-2026: Colômbia, adversária de Portugal, confia o seu destino a Luis Díaz

Lucho, na sua primeira experiência num Mundial, simboliza a nova cara da Colômbia e constitui o principal trunfo ofensivo da equipa comandada pelo argentino Néstor Lorenzo, que vê no seu desequilíbrio a principal forma de atacar.

"Agora resta apenas uma coisa: dar o máximo por esta camisola, pelo meu país e por milhões de colombianos que sonham juntamente connosco", escreveu Díaz nas suas redes sociais após a divulgação da convocatória da Colômbia para o Mundial.

A Colômbia acabou por moldar a sua estrutura de jogo em torno da influência individual do antigo avançado do Liverpool e do FC Porto, numa fase de declínio progressivo de James Rodríguez (34 anos), herói do Mundial de 2014 no Brasil, cuja relevância diminuiu no futebol de elite.

A questão já não é se dependem dele, mas sim como evitar que se desgaste.

Na sua primeira temporada recentemente concluída pelo Bayern de Munique, na qual ganhou três títulos, a Bundesliga, a Taça da Alemanha e a Supertaça da Alemanha, Luis Díaz beneficia de movimentos ofensivos definidos, apoios regulares e estruturas que potenciam o seu desequilíbrio. Na seleção, esse ambiente nem sempre se replica, o que o obriga a ajustar a sua função em cada jogo.

Neste contexto surge James, figura central do período que levou a Colômbia aos quartos de final no Brasil em 2014 e aos oitavos de final na Rússia em 2018.

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Passados oito anos do último Mundial em que os cafeteros participaram, o papel atual do antigo maestro do Real Madrid é mais irregular, marcado pela falta de regularidade nos seus últimos clubes e pelas lesões sucessivas com que lidou desde a Rússia em 2018.

O dilema tático de Lorenzo

De que forma deve jogar a Colômbia para potenciar o impacto de Lucho sem se apoiar apenas na sua inspiração individual? Lorenzo enfrenta um desafio que alia planeamento tático e gestão de talento num contexto de elevada exigência como um Mundial.

As derrotas contra a Croácia (2-1) e França (3-1) nos particulares de março nos Estados Unidos funcionaram como ensinamento. Apesar dos resultados, o treinador cafetero declarou que os jogos proporcionaram "muita aprendizagem" e assegurou que a Colômbia "vai fazer um grande Mundial", contando com o talento de Díaz.

"É um jogador extraordinário. Lucho evoluiu enormemente e é o nosso jogador diferenciado, o único na seleção que atua numa equipa de topo", afirmou.

Nesse contexto, vozes do mundo do futebol colombiano têm solicitado moderação na gestão emocional e competitiva do extremo.

"Enquanto líder, enquanto embaixador do nosso futebol, ele vai demonstrar o seu valor. Não é necessário acrescentar-lhe nada. Não é necessário exigir-lhe nada. Ele vai senti-lo por si só, é necessário libertá-lo e não lhe impor mais um fardo", solicitou o ex-futebolista Carlos "La Roca" Sánchez, mundialista pela Colômbia em 2014 e 2018.

A cicatriz de 1994

O cenário da América do Norte não é alheio à memória do futebol colombiano. A final da Copa América 2024 contra a Argentina campeã do mundo afirmou uma equipa competitiva, embora a parte final das qualificações sul-americanas tenha exposto oscilações no seu rendimento.

Luis Díaz voltou a ser o foco ofensivo. James, em boa forma física mas sem regularidade na altura no São Paulo, recuperou protagonismo e foi nomeado o melhor jogador da Copa América.

O retorno à América do Norte, agora num formato de Mundial, reaviva inevitavelmente um episódio histórico. Para os colombianos, o Mundial de 1994 nos Estados Unidos ficou marcado como uma das experiências mais dolorosas da sua história futebolística e tornou-se um reflexo da violência que assolou o país desde o final da década de 50.

Esta competição não deixou apenas uma má memória de uma seleção que chegou como favorita depois de golear a Argentina por 0-5 em Buenos Aires na qualificação para o Mundial e acabou eliminada na fase de grupos, mas também deixou uma marca profunda na memória coletiva da Colômbia com o homicídio do futebolista Andrés Escobar após a eliminação, num contexto de intolerância extrema.

Hoje, três décadas mais tarde, a Colômbia volta à América do Norte num contexto diferente. Não é a favorita, mas é respeitada e competitiva. E a esperança dos cafeteros chama-se Luis Díaz.