Mundial-2026: A Torre de Babel, um em cada quatro jogadores nasceu noutro país

Mundial-2026: A Torre de Babel, um em cada quatro jogadores nasceu noutro país

Por outro lado, só oito equipas têm convocatórias totalmente formadas por jogadores naturais do seu país. São esses os casos da Colômbia (adversária de Portugal), República Checa, Brasil, Áustria, Suécia, Arábia Saudita, Panamá e África do Sul.

Histórias de passaportes e decisões de coração

A globalização e a expansão do Mundial para 48 equipas justificam este recorde de atletas naturalizados. Curaçau é o exemplo mais radical: entre os 26 convocados, só um nasceu fora dos Países Baixos.

A sua principal figura, o ponta de lança Tahith Chong (ex Manchester United), nasceu nas Caraíbas, tem raízes chinesas e fez toda a formação nos Países Baixos, onde jogou até aos sub-21. Desde os 10 anos esteve no Feyenoord e até aos 21 representou os neerlandeses. Curiosamente, o seu nome completo homenageia o histórico internacional francês Youri Djorkaeff: Tahith Jose Girigorio Djorkaef Chong.

Os progenitores do médio Dominique Simon são haitianos, mas ele nasceu em França. Esteve na academia do Paris Saint-Germain, mas só pôde jogar por uma seleção devido ao país caribenho, que volta ao topo após 52 anos.

Existem ainda decisões de última hora. Ermin Mahmic, médio formado nas camadas jovens da Áustria (onde nasceu), escolheu na véspera do torneio representar a Bósnia, país de origem dos seus pais. Já o defesa Merchas Doski, que jogará o Mundial pelo Iraque, nasceu em Hanôver, na Alemanha, para onde os seus pais (curdos iraquianos) emigraram nos anos 90.

Mesmo em seleções tradicionalmente mais resistentes a este fenómeno, como a Alemanha, há exceções. Na comitiva alemã, o único atleta nascido no estrangeiro é o defesa do Dortmund, Waldemar Anton, que veio ao mundo no Usbequistão, numa família de alemães-russos que voltou para a Alemanha quando tinha dois anos. No início da pré-primária, Anton ainda não falava alemão, mas acabou por terminar o secundário com boas notas a matemática e biologia.

Superestrelas no mapa das naturalizações

Quem acredita que este fenómeno afeta apenas equipas menores engana-se. Algumas das maiores estrelas do futebol mundial fazem parte desta lista de estrangeiros.

O letal avançado norueguês Erling Haaland, por exemplo, nasceu em Leeds, Inglaterra, quando o pai jogava na Premier League. Outro caso emblemático é o de Michael Olise, a estrela do Bayern Munique que vai jogar pela França, mas que tinha um verdadeiro leque de opções: podia representar também a Inglaterra (onde nasceu), a Argélia (país da mãe) ou a Nigéria (país do pai).

Uma coisa é garantida: para seguir este Mundial-2026 com atenção, os fãs vão necessitar de um dicionário de futebol numa mão e um atlas mundial na outra.