Liga dos Campeões: Sporting precisa de maior incisividade em Londres, segundo Augusto Inácio
Siga o desenrolar do jogo
Cada vez que recuperar a bola do Arsenal, o Sporting deve contra-atacar rapidamente, sem desperdiçar tempo a passar para o lado ou para trás, caso contrário, oferece ao oponente a chance de se recompor na defesa. Já ficou claro que, quando se trata de proteger o golo, o Arsenal recua todo o coletivo atrás da linha da bola, observou à agência Lusa o ex-defesa esquerdo internacional luso, com 71 anos, que representou os leões de 1974 a 1982 e contribuiu para o primeiro campeonato em 18 anos na época 1999/00.
O Arsenal, que domina sem contestação a Premier League e triunfou na fase de grupos da Liga dos Campeões, defronta novamente o Sporting na quarta-feira, às 20:00, no Estádio Emirates, em Londres, oito dias após a vitória dos ingleses no jogo inicial (1-0), em Lisboa, graças a um tento do suplente alemão Kai Havertz nos acrescimos, aos 90+1 minutos.
O encontro foi equilibrado, com momentos de domínio alternados. Não se pode afirmar que o Arsenal tenha sido dominante ou criado muitas chances claras. Foi pragmático, astuto e orientou-se para o desfecho da partida de regresso. O Sporting também evitou abrir espaços excessivos, para não ser apanhado desprevenido, e procurou o golo sem descurar a solidez defensiva, comentou.
Os leões viram interrompidas as sequências de 20 jogos invictos em casa em várias competições e de 17 triunfos nessa situação, duas com recurso ao prolongamento, mas apenas uma após empate nos 90 minutos.
Tenho a certeza de que o início deste segundo embate seguirá o padrão visto em Lisboa. Não imagino o Arsenal a arriscar muito, consciente do potencial do Sporting em transições rápidas. Se os leões precisarem de forçar o 0-0, isso acontecerá apenas na etapa complementar, previu Augusto Inácio, que integrou o plantel vencedor em dois sucessos leoninos em solo inglês nas provas europeias, contra o Southampton (4-2), em 1981/82, na fase inicial da segunda eliminatória da Taça UEFA de então.
Geny Catamo e Iván Fresneda destacaram-se pela leitura tática, o que limitou Gyökeres, preso entre os centrais Gonçalo Inácio e, sobretudo, Ousmane Diomande, que o anulou por completo com intervenções impecáveis. O Arsenal ameaçou mais pelo flanco direito, via o esquerdo de Noni Madueke, que substituiu Bukayo Saka, mas a defesa sportinguista mostrou solidez, contextualizou.
O golo surgiu de uma ação entre o brasileiro Gabriel Martinelli e Havertz, dois dos três reforços introduzidos nos derradeiros 20 minutos pelo treinador espanhol Mikel Arteta, comprovando os recursos de elite do Arsenal para alterar o rumo dos jogos desde o banco.
O Sporting contava com Souleymane Faye, mas parece que Rui Borges não confia plenamente nele para este calibre de partida. Quem poderia entrar para injetar vitalidade? Creio que os leões sofrerão pelo cansaço acumulado. O rival lançou elementos de topo e em plena forma física, enquanto os sportinguistas não reagiram àquele passe de Martinelli. O suplente decidiu a favor do Arsenal, reconheceu Augusto Inácio.
Fora da primeira partida por castigo, o médio dinamarquês e líder Morten Hjulmand volta a estar disponível no Sporting, que equiparou o seu registo histórico na elite europeia de clubes da UEFA, 43 anos após o único apuramento para os quartos na Taça dos Campeões Europeus, e permanece como o último emblema luso na contenda.
Trata-se de um elemento de equilíbrio que se harmoniza bem com Hidemasa Morita, mais calculista, sereno e posicional do que João Simões, que se portou decentemente como titular no primeiro duelo. Claramente, Hjulmand é uma peça essencial em qualquer conjunto, mas a sua presença não garante automaticamente uma maior probabilidade de vitória, concluiu.
Caso avance às semifinais, feito inédito para um clube português desde o triunfo do FC Porto na Liga dos Campeões em 2003/04, o Sporting medirá forças com o FC Barcelona ou o Atlético de Madrid, numa série que, por ora, beneficia os colchoneros (2-0 no Camp Nou).