Entrevista Exclusiva com Witsel: "Vou viver este Mundial como se fosse o primeiro, porque será o último"
Com 37 anos, o jogador é uma presença constante na seleção belga desde 2010, tendo feito parte da geração dourada da década de 2010. Agora, chega a este Mundial como o elemento mais veterano dos Diabos Vermelhos, um atleta experiente que já passou por diversos cantos do mundo.
O entusiasmo pelo torneio não se desvaneceu desde a sua estreia em 2014, e o médio defensivo espera abordar esta edição com a mesma energia que teve no Brasil há 12 anos.
Numa conversa com o Flashscore antes do evento, afirmou: “Vou viver este como se fosse o primeiro, porque será o último".
"Vou fazer de tudo para aproveitar cada instante. Não me refiro apenas aos jogos, mas também aos treinos, ao convívio com os colegas de equipa no hotel durante, pelo menos, quatro semanas".
Com 138 internacionalizações, Witsel já passou por todas as fases com a Bélgica. Desde o quase sonho em 2018, quando alcançaram o terceiro lugar, até à amarga eliminação na fase de grupos há quatro anos, tem sido uma autêntica montanha russa para um jogador e uma equipa que nunca concretizaram todo o seu potencial.
Sob a liderança de Rudi Garcia neste torneio, esta é a derradeira oportunidade para nomes como Witsel, Thomas Meunier, Thibaut Courtois, Kevin De Bruyne e Romelu Lukaku saborearem o sucesso pela Bélgica.
Os mais novos, como Jeremy Doku e Charles De Ketelaere, trarão dinamismo a este grupo experiente, e Witsel acredita que ainda pode contribuir muito neste Mundial.
“Penso que é importante haver equilíbrio e uma boa mistura entre a nova geração e, diria, a mais velha. Acho que é mesmo essencial um bom ambiente, e por isso agora estou eu, mas também o Lukaku, o Kevin De Bruyne, e o Courtois já começa a ficar um pouco mais velho", acrescentou.
“Não sou o único, mas estamos aqui para tornar a vida mais fácil aos mais novos, e acho que para o Mundial é sempre bom ter alguma experiência extra".
Nos Mundiais e Europeus anteriores, a Bélgica chegou perto de uma final, mas nunca atingiu o jogo decisivo.
Em 2018, foram derrotados pelos futuros campeões, a França, nas meias finais por 1-0, enquanto noutras ocasiões vacilaram, como na derrota frente ao País de Gales em 2016 no Europeu conquistado por Portugal.
Witsel esteve presente nesses dois momentos dolorosos e, ao entrar neste torneio, ainda sente algum pesar por 2018. Recordando a década anterior, o jogador do Girona afirmou: “Acho que com a geração que tivemos, fizemos coisas incríveis".
"Em 2018, ficámos em 3.º lugar. Para nós, foi realmente fantástico na altura. Ninguém esperava que a Bélgica chegasse tão longe, mas pode ficar aquela sensação de que talvez pudéssemos ter feito algo diferente ou um pouco melhor".
“Quando chegámos à meia final, tudo podia acontecer. Hoje, talvez seja diferente. Temos de ser honestos connosco. Na minha opinião, há países mais fortes do que nós, como a França, por exemplo", reconheceu o antigo jogador do Benfica.
“Eles são mesmo uma equipa muito, muito forte. Depois temos a Espanha e também a Argentina, por isso hoje estamos noutro nível. Em todos os Mundiais há surpresas, uma equipa que vai muito longe, como aconteceu na última edição, no Catar, com Marrocos, por exemplo", continuou.
Se a Bélgica quiser surpreender nas Américas, os mais experientes terão de estar ao seu melhor nível. Grande parte dessa responsabilidade recairá sobre o recentemente recuperado Lukaku e De Bruyne, enquanto Courtois será fundamental entre os postes.
O sol pode estar a pôr-se sobre a "Geração Dourada" da Bélgica, mas Witsel e companhia esperam ainda ter mais uma história para contar a 19 de julho.