Com bilhetes a 60 dólares, rivais juntam-se e organizam megaoperação para apoiar o Brasil no Mundial
A fórmula? Uma aliança sem precedentes entre o Movimento Verde e Amarelo (MVA) e as principais claques organizadas de clubes brasileiros. Desta vez, as rivalidades entre estados foram postas de lado em nome da Seleção.
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Várias claques uniram forças com o MVA para sincronizar os cânticos e a pressão nos estádios norte-americanos. Em declarações ao Flashscore, Pedro Lage, membro e um dos representantes da Máfia Azul Estados Unidos, explicou como esta ponte foi estabelecida.
"O Movimento Verde e Amarelo contactou as lideranças das claques organizadas aqui nos Estados Unidos e de algumas do Brasil que estão a vir. Ofereceram bilhetes a um preço promocional, pois o objetivo é animar a bancada com pessoas que já têm experiência de arquibancada, que sabem como envolver o público para entusiasmar os brasileiros e criar um grande espetáculo", contou.
"Criaram um grupo no WhatsApp e colocaram duas ou três pessoas de cada claque. O objetivo é apoiar o Brasil, deixando os nossos clubes e as rivalidades de lado para nos focarmos numa grande festa nas bancadas, em prol da Seleção", continuou Pedro Lage.
"Também nos indicaram alguns pontos de encontro antes dos jogos, onde haverá ensaio de bateria. Estamos a ir com os nossos aliados da Jovem do Sport e da Dragões Atleticanos, esta última do Atlético-GO. Também vão estar presentes a Camisa 12, do Internacional, além de representantes da Máfia Azul, do Cruzeiro. Vai ser uma festa bonita", projetou o adepto, residente no estado norte-americano de Massachusetts.
Segundo ele, o contacto foi planeado para garantir que os adeptos ficassem concentrados no mesmo setor do estádio, maximizando o impacto sonoro e visual. Para viabilizar a presença, houve até um sinal da FIFA: a entidade máxima do futebol concedeu ao grupo um lote (restrito) de bilhetes ao preço de 60 dólares.
O objetivo principal é claro: trazer a dinâmica vibrante, o ritmo e a energia das bancadas do futebol brasileiro, superando as antigas e genéricas músicas que durante anos ditaram o tom — ou a falta dele — nos jogos da Seleção.
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Espelho argentino e bilhetes a 60 dólares
A iniciativa brasileira tenta replicar um modelo que já se revelou muito bem-sucedido com os maiores rivais. A seleção argentina é amplamente conhecida por arrastar multidões que cantam durante os 90 minutos, um movimento que, nos bastidores, conta com o forte apoio e subsídio da Associação do Futebol Argentino (AFA) para as lideranças das suas "barras bravas".
No caso do Brasil, porém, o mecanismo financeiro, segundo o MVA, é inteiramente financiado com recursos próprios, fruto do bolso de cada integrante e de parcerias comerciais e patrocinadores independentes que o grupo estabelece de forma autónoma.
"O dinheiro que vamos usar vem de patrocinadores", destaca Luiz Vasco, fundador do Movimento Verde e Amarelo. "Na hora do jogo, o traje é a camisa do Brasil ou do MVA, e as faixas são exclusivas para a torcida brasileira. Vamos cantar, tocar e torcer pelo Brasil. Esta é a nossa regra de ouro, e todos assinaram um contrato com o MVA para poder comprar estes bilhetes, sendo proibido revendê-los", garante Vasco, que também reforça: "Não toleramos agressões físicas ou verbais".
Bandeiraço na Times Square
Independentemente de quem paga a conta nos bastidores, o facto concreto é que a atmosfera nos Estados Unidos promete ser um marco. O adepto que for aos estádios verá camisolas de diferentes cores e origens unidas sob a mesma bandeira, numa tentativa real de devolver o "clima de estádio" e a alma do futebol brasileiro à Seleção.
O primeiro grande exemplo desta sinergia acontecerá na véspera da estreia contra Marrocos. O Movimento Verde e Amarelo convocou um bandeiraço na Times Square, coração de Nova Iorque, em parceria com uma empresa de apostas. No domingo (14), os adeptos também farão uma caminhada pela Brooklyn Bridge e encerrarão a programação na cidade num bar temático.
Impulsionado pelo apoio de patrocinadores, o MVA contará com uma estrutura robusta de materiais em solo americano. Serão 6 mil bandeirolas, 5 mil balões de canudo, um "camisão" de 500 metros quadrados, 25 instrumentos musicais, além de faixas e mais de 100 bandeiras a homenagear jogadores e ídolos. A megaprodução confirma que, longe de ser um movimento puramente orgânico, a agitação da torcida brasileira neste Mundial terá a assinatura e a precisão de verdadeiros "profissionais da bancada".
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