Vereadores da Câmara Municipal do Porto alertados para o estado do Boavista

Vereadores da Câmara Municipal do Porto alertados para o estado do Boavista

Manuel Pizarro considera que a condição dos axadrezados causa grande inquietação, por causa das múltiplas facetas em que o clube ainda se envolve, iniciando pelo rumo da instituição, que compete aos sócios orientarem, e prosseguindo com os mais de mil jovens que desportam graças ao Boavista.

É essencial garantir a continuidade dessa actividade desportiva, independentemente das dificuldades que o emblema enfrenta actualmente. Existe ainda uma terceira vertente, a patrimonial. O Boavista possui um património de grande relevância, tanto pelo seu valor como pela importância para toda a área em redor do estádio, observou, ao terminar uma reunião reservada do executivo municipal.

O socialista celebrou a notícia positiva que obteve do executivo, segundo a qual a Câmara não abdicará das disposições vigentes do Plano Director Municipal para essa zona, reservada a instalações desportivas.

Para impedir um aproveitamento especulativo daqueles terrenos, o PS acha que se impõe algo adicional, pelo que apelou à autarquia para assegurar um espaço desportivo benéfico para os cidadãos e a comunidade local.

Nessa perspectiva, nós avançaríamos mais, convertendo toda essa área numa zona de reabilitação urbana, o que permitiria ao município e às entidades públicas recuperarem capacidade de actuação no processo de requalificação do estádio e dos terrenos adjacentes, declarou.

Interpelado sobre a possibilidade de a autarquia comprar o estádio, reconheceu que isso poderia ser uma opção em último recurso, invocando o direito de preferência, pois esse local não pode ser desperdiçado para a prática desportiva na cidade, e a Câmara do Porto deve apoiar o esforço de preservar o clube e conferir uma utilidade comunitária ao espaço envolvente.

O pior cenário que consigo imaginar é uma instituição com mais de um século de história, tão vital para a cidade, ser votada ao esquecimento. Há duas décadas, algo idêntico se poderia prever para o Salgueiros, recordou.

Para o vereador Miguel Corte-Real, do Chega, o Boavista representa bem mais do que um mero clube de futebol e justifica uma atenção especial, razão pela qual aplaude o facto de o presidente considerar o assunto e o monitorizar, declarando-se disposto a colaborar na busca de uma solução que preserve o papel do clube na formação desportiva, além de proteger a instituição e uma área urbana de grande importância.

Que não se mantenham por ali construções abandonadas e sem proveito, como o estádio se encontra presentemente, sem qualquer utilização, alertou.

Na passada sexta-feira, uma loja e 15 garagens foram vendidas num leilão de 30 bens imobiliários do Boavista, inserido no processo de insolvência da colectividade, ao passo que outros 13 lotes subterrâneos e um apartamento não alcançaram as propostas mínimas.

O Boavista havia negociado com os credores a manutenção da sua operação, comprometendo-se a cobrir o défice operacional corrente, mas no mês transacto falhou o depósito na conta da massa insolvente de 54.180 euros relativos a despesas mensais correntes, mais 96.000 euros numa das parcelas, tendo a primeira importância sido garantida mediante a intervenção do accionista principal da SAD axadrezada, o hispano-luxemburguês Gérard Lopez.

A liquidação do clube foi aprovada em Setembro, por gerar prejuízos na massa insolvente e acumular dívidas acima de 150 milhões de euros (ME), enquanto os credores da SAD optaram unanimemente pela continuação da actividade da sociedade, e actualmente a SAD compete nos distritais, enquanto o clube não logrou inscrever a equipa principal, como ambicionava, dado estar vinculado às dívidas da sociedade.