Um clássico retro na Série D: América recebe Portuguesa no Rio
Trata-se do America-RJ e da Portuguesa-SP, que se defrontam este sábado, às 15h, no Rio, na 3ª jornada da Série D do Campeonato Brasileiro. Um genuíno clássico retro, que, a nível nacional, regressa quase 40 anos depois.
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Num campeonato fundamentalmente brasileiro, a última vez que o Diabo e a Lusa partilharam o mesmo relvado foi a 19 de agosto de 1988, pela Série A. A Portuguesa triunfou por 1 a 0, na primeira fase do Brasileiro desse ano.
O embate mais recente entre os dois, na verdade, deu-se em 2002, num já decadente Torneio Rio-São Paulo. Foi no mesmo torneio que começou a rivalidade entre as duas equipas, em 1933.
Mata-mata nacional
“Calor intenso prejudica a Portuguesa”. Era este o título da reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo no dia 2 de fevereiro de 1987. O texto descrevia a vitória do América por 1 a 0 no jogo da primeira mão dos oitavos de final do Campeonato Brasileiro de 1986, que se prolongou para o ano seguinte.
César marcou aos 35 minutos da primeira parte o único golo da partida, ecoando o grito de “Sangue! Sangue!” pelas bancadas do Estádio Caio Martins, em Niterói. O público: mais de 45 mil pagantes.
O então jovem treinador René Simões comandava a Lusa. Ele e os seus jogadores, como o ídolo Jorginho, queixaram-se bastante do calor do verão carioca. Três dias depois, o América segurou o empate a 0 a 0, em São Paulo, no Pacaembu, e avançou.
Aquela seria uma das melhores versões do clube carioca, dirigido por Pinheiro e com o cabeludo Luisinho no ataque. O Mecão só caiu na semifinal para o São Paulo, que viria a ser campeão ao bater o Guarani na final.
Expectativa e realidade
O panorama agora é diferente. A Portuguesa, que seria vice-campeã brasileira em 1996 ao perder para o Grêmio, transformou-se recentemente numa SAF, após décadas em situação financeira frágil. Fez um bom Campeonato Paulista e, agora, luta jornada a jornada na Série D.
No jogo, que se realiza no Estádio Giulite Coutinho, a grande expectativa do lado paulista é a estreia de Jonas Toró. Após surgir no São Paulo, o jogador passou por vários clubes, principalmente pelo Botafogo de Ribeirão Preto, e agora tenta relançar a carreira, aos 26 anos.
Do lado do América, equipa que revelou o lateral tetracampeão mundial Jorginho e que hoje tem Romário na presidência, uma das contratações para a Série D é o avançado Caio Rangel. O atacante tem até experiência no estrangeiro, no Cagliari, de Itália. Na formação, chegou inclusive a jogar pela Seleção Brasileira.
Ao contrário das multidões do passado — e o América, nos anos 1980, chegou a atrair grandes públicos ao Maracanã —, o jogo retro deste sábado deverá ter público reduzido, mas, sem dúvida, contará com a presença de duas torcidas resilientes do futebol brasileiro.