Treinadoras portuguesas consideram arduo repetir feito da primeira mulher no big five em Portugal

Treinadoras portuguesas consideram arduo repetir feito da primeira mulher no big five em Portugal

Marie-Louise Eta, com 34 anos, assumiu no domingo o cargo de treinadora principal do Union Berlim ate ao fim da temporada, apos a partida de Steffen Baumgart do emblema da Bundesliga, tornando-se assim a pioneira mulher a liderar uma equipa das chamadas big five ligas (Alemanha, Espanha, Franca, Inglaterra e Italia).

Em Portugal, nao ha qualquer presenca feminina nos bancos de treinos, inclusivamente na Liga feminina, situacao que, segundo Mariana Cabral, "revela tudo" acerca do longo trajeto por percorrer, opinou em entrevista a Lusa, recordando Helena Costa como o caso isolado luso que chegou perto de um campeonato senior masculino.

Em 2014, Helena Costa fora escolhida para comandar o Clermont, da segunda divisao francesa, mas acabou por nao iniciar o trabalho devido a desentendimentos com a direcao do clube, e dez anos depois, em conversa com a SIC Noticias, denunciou o diretor desportivo da epoca por sabotar a sua funcao por via de preconceitos: "Ele nao queria colaborar com mulheres e nao teve coragem para o admitir".

Em resposta a Lusa, Helena Costa, que agora exerce como diretora desportiva no Estoril Praia, rejeita ver a escolha alemã - onde joga o defesa luso Diogo Leite - como uma estrategia publicitária, enfatizando que a Bundesliga privilegia um ambiente "extremamente pratico" onde o essencial e a capacidade, "independentemente do genero".

Mas representa, sem duvida, um marco historico. Consigo imaginar perfeitamente o lugar dela, embora o ambiente pareca bem mais protegido do que o que vivi na minha epoca, afirmou.

No panorama portugues, considera "extremamente complicado" que algo similar ocorra em breve, pois os clubes carecem de ousadia e vao subsistindo obstaculos culturais.

Nao afirmo que seja inviavel, pois ha evoluçoes, mas sinceramente, vejo como muito dificil, quase impossivel, no nosso meio atual, confessou.

Para Mariana Cabral, que construiu uma carreira notavel na equipa feminina principal do Sporting - onde ganhou uma Taça de Portugal e duas Supertacas antes de se aventurar na NWSL americana (Utah Royals e Chicago Stars) -, a designacao de Eta constitui "um instante altamente positivo", oferecendo uma exposiçao que transcende o futebol.

Malgrado o otimismo, a treinadora de 38 anos acredita que a transformaçao em Portugal esta distante.

Aqui, nao creio que possamos esperar algo assim no horizonte proximo, declarou, destacando o prejuiço, a escassez de mulheres em posiçoes tecnicas e os entraves para obter as certificações mais elevadas de treino.

Mariana Cabral chegou a mencionar que, para frequentar o curso UEFA Pro em Portugal, o caminho para as mulheres e "totalmente inacessivei", forçando muitas a buscar ensino no exterior, com despesas financeiras e emocionais consideraveis.

Segundo a tecnica, a equidade de genero permanece ausente no futebol nacional.

O futebol portugues continua bastante sexista, e nao digo que seja intencional. Sao padroes enraizados (...), basta observar o staff de qualquer emblema e contar as mulheres. Nem falo de treinadoras, mas de fisioterapeutas, medicas, nutricionistas, delegadas... Se escasseiam ali, entao como esperar nos lugares de comando, deplorou.

E sublinhou a falta de treinadoras na Liga feminina do pais.

E no nosso campeonato de futebol feminino, quantas mulheres lideram equipas? Absolutamente nenhuma, notou, para enfatizar que o issue inicia nas fundaçoes e estende-se aos niveis superiores.

Para Henrique Calisto, treinador e presidente da Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF), esta promoçao de Marie-Louise Eta "abrirá caminhos" permitindo que a treinadoras portuguesas se imponham no futebol masculino".

O inicio deve seguir o modelo deste caso: partiu como adjunta numa staff masculina. Isso pode ser uma via para as mulheres ganharem terreno no futebol dos homens, argumentou, notando que o desporto espelha a sociedade.

Para o lider, o futebol portugues precisara "avançar muito ate isso se concretizar, ate porque Marie era adjunta" na equipa do predecessor, Steffen Baumgart.

Em Portugal, nem adjuntas temos por enquanto, encerrou.