Seleção despede-se dos adeptos no Maracanã, estádio que outrora foi a sua casa

Seleção despede-se dos adeptos no Maracanã, estádio que outrora foi a sua casa

Neste domingo (31), a equipa orientada por Carlo Ancelotti despede-se dos adeptos brasileiros no estádio, num particular diante do Panamá, antes de seguir para os Estados Unidos, onde continuará a preparação para o Mundial.

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No total, a Seleção já realizou 110 jogos no Maracanã e tem uma percentagem de vitórias de 77,7% nesse estádio. No atual ciclo do Mundial, foram duas partidas: contra a Argentina, derrota por 1-0, e frente ao Chile, já com Ancelotti no comando técnico, vitória por 3-0.

Aliás, este será o quinto jogo da Seleção no estádio nesta década, ultrapassando os números das décadas de 1990, 2000 e 2010. Desde os anos 1950 até aos anos 1980, pode-se afirmar categoricamente que o Maracanã era, verdadeiramente, a casa da Seleção Brasileira, tal como Wembley é a casa dos ingleses.

Desde então, teve início um processo de afastamento da Seleção. A maior parte dos particulares passou a ser disputada fora do país. Para ter uma ideia, nas últimas três janelas FIFA, o Brasil fez particulares em Seul, Tóquio, Londres, Lille, Foxborough e Orlando.

Além disso, nos jogos como anfitriã nas Eliminatórias, a CBF passou a viajar mais pelo país, levando a Seleção a diferentes praças. Naturalmente, é um movimento acertado para aproximar os ídolos brasileiros de mais adeptos, mas que acaba inevitavelmente por afastar a equipa do palco mais icónico do país.

Desde os anos 1990, ocorreram os três períodos de maior afastamento da Seleção do Maracanã. Depois de Romário ter apurado o Brasil para o Mundial de 1994 no estádio, com uma exibição histórica frente ao Uruguai em 1993, o palco carioca apenas voltou a receber a seleção brasileira sete anos mais tarde, em 2000, contra o mesmo adversário, num empate a 1-1 nas Eliminatórias para o Mundial de 2002.

No mesmo ano, o Brasil defrontou a Bolívia no Maracanã e venceu por 5-0. Depois disso, ficou novamente sete anos afastado do estádio e apenas regressou em 2007, quando repetiu o 5-0, desta vez frente ao Equador.

O Brasil também esteve seis anos sem jogar no Maracanã entre a final da Taça das Confederações de 2013, quando derrotou a Espanha, e a final da Copa América de 2019, quando a equipa, então orientada por Tite, venceu o Peru.

Um momento que chamou à atenção ocorreu no Mundial de 2014, quando o percurso da Seleção não incluía sequer um jogo no Maracanã, salvo uma eventual participação na final. Todos se lembram do que aconteceu no Mineirão antes do jogo decisivo. A Seleção não jogou no Mário Filho e não teve a oportunidade de reescrever a sua história em Mundiais no estádio, que tem o seu capítulo mais dramático no Maracanazo de 1950.

Despedida como há muito não se via

O jogo deste domingo, frente ao Panamá, marca a despedida da Seleção diante do seu povo antes da viagem para o Mundial. Os bilhetes esgotaram-se rapidamente. A partida retoma uma antiga tradição de a Seleção fazer um particular no país antes do Mundial.

A última vez que o Brasil tinha feito isso foi em 1990, quando a equipa comandada por Sebastião Lazaroni empatou a 3-3 com a Alemanha de Leste no Maracanã antes de seguir para Itália. Desconsidera-se, claro, 2014, quando o Mundial se realizou no Brasil. Aquele jogo, um dos últimos da história da Alemanha de Leste, contribuiu para aumentar a desconfiança que já cercava a equipa e o trabalho de Lazaroni.

Frente ao Panamá, Ancelotti espera não ser vaiado, como sucedeu a Lazaroni em 1990, e terá uma excelente oportunidade para fazer testes importantes com vista à estreia frente a Marrocos. O treinador, porém, não poderá contar com Neymar, novamente lesionado e que nem sequer foi testado desde a sua chegada, além do trio que disputou a final da UEFA Champions League neste sábado: Gabriel Martinelli, Gabriel Magalhães e Marquinhos.

Ancelotti já confirmou, em conferência de imprensa neste sábado, na Granja Comary, a equipa titular: Alisson; Wesley, Bremer, Léo Pereira e Alex Sandro; Bruno Guimarães e Casemiro; Matheus Cunha, Luiz Henrique, Raphinha e Vini Jr.