Secretário-geral da CAF abandona cargo em fase difícil para o futebol no continente africano

Secretário-geral da CAF abandona cargo em fase difícil para o futebol no continente africano

Mossengo-Omba declarou que pretendia aposentar se, porém a sua partida ocorre num período de desconfiança na direcção da entidade, com controvérsia crescente sobre a remoção do troféu da Taça das Nações Africanas ao Senegal e apelos para inquérito sobre suposta corrupção no principal órgão do futebol africano.

Recentemente, intensificaram se as críticas à sua continuação como secretário-geral para lá da idade limite de reforma da associação, estabelecida em 63 anos, especialmente nas plataformas sociais, mas também vinda de elementos do comité executivo da CAF.

"Depois de mais de 30 anos de trajectória internacional voltada para fomentar um futebol que aproxima indivíduos, ensina e gera possibilidades de otimismo, resolvi sair do posto de Secretário-Geral da CAF para me envolver em iniciativas pessoais", declarou Mossengo-Omba num aviso: "Agora que esclareci as dúvidas que certos insistiram em espalhar a meu respeito, posso aposentar me com a consciência limpa e sem embaraços, transmitindo a CAF mais forte do que alguma vez foi. Agradeço de coração ao Presidente da CAF, Dr. Patrice Motsepe, às minhas equipas e a quantos, directa ou indirectamente, contribuíram para que a CAF e o futebol africano organizado obtivessem ganhos concretos e visíveis. Que os progressos alcançados perdurem e se consolidem", terminou.

Mossengo-Omba revelou se uma personalidade controversa na CAF, criticado por alguns colaboradores por fomentar um clima negativo no ambiente laboral, apesar de uma análise posterior a queixas dos trabalhadores o ter absolvido de qualquer falha.

Com 66 anos, oriundo do Congo, mas com nacionalidade suíça e ex empregado da FIFA, foi companheiro de universidade do líder da FIFA, Gianni Infantino.

Ainda que o aviso mencione a reforma, a posição de Mossengo-Omba foi desmentida por Motsepe numa sessão de imprensa seguinte.

"Contou me que o presidente da RD Congo o convidou para auxiliar no progresso do futebol nessa nação", disse Motsepe.

Informações indicam à Reuters que se prevê que Mossengo-Omba concorra à liderança da federação de futebol da República Democrática do Congo nas eleições previstas para os meses vindouros.

Caso venha a triunfar, poderá disputar a posição suprema da CAF se Motsepe se demitir para se envolver na política da sua terra natal, a África do Sul, onde surge como potencial sucessor do Presidente Cyril Ramaphosa. Todavia, Motsepe já rejeitou tal hipótese.

No começo deste mês, Motsepe reconheceu que a CAF lidava com problemas de credibilidade e, após o escândalo na final da Taça das Nações, o executivo do Senegal solicitou uma análise internacional à administração da entidade.

A remoção do troféu da Taça das Nações ao Senegal resultou de uma deliberação do Conselho de Recursos da CAF, mas prejudicou a reputação do futebol africano.

A CAF revelou ainda no domingo que o seu director de competições, Samson Adamu, ocuparia provisoriamente o lugar de secretário-geral.