Resumo do Campeonato: FC Porto pragmático e eficaz tornou se campeão sem falhas

Resumo do Campeonato: FC Porto pragmático e eficaz tornou se campeão sem falhas

Sob a orientação do italiano Francesco Farioli antigo treinador do Ajax em sua primeira temporada e após profunda renovação do plantel os dragões não corresponderam totalmente às expectativas iniciais em termos de espetáculo mas provaram ser a equipa mais consistente e regular da prova.

Num campeonato onde habitualmente apenas três formações disputam o título o FC Porto beneficiou ainda da incapacidade do bicampeão Sporting em vencer os encontros decisivos e de um Benfica que apesar de nunca ter perdido acabou por desperdiçar pontos em diversos empates.

Entre as outras equipas o SC Braga manteve a supremacia mas sempre muito distante dos grandes clubes sendo seguido pelo Famalicão que realizou a melhor época da sua história superando o Gil Vicente que impressionou até ao intervalo e aguardando agora que o Sporting conquiste a Taça de Portugal para garantir presença europeia pela primeira vez.

Mais abaixo desceram o Tondela e o AFS que ocuparam as últimas posições desde o arranque e serão substituídos pelo Marítimo e pelo Académico de Viseu de regresso após trinta e sete anos enquanto o Casa Pia tentará garantir a permanência diante do Torreense finalista da Taça.

A nonagésima segunda edição do campeonato português ficou ainda marcada fora das quatro linhas por inúmeras polémicas centradas sobretudo na arbitragem e no VAR que por vezes em vez de ajudar complica as decisões.

Dentro das linhas o FC Porto assumiu o comando acompanhado nas primeiras três jornadas tendo o Famalicão aberto a tabela e o Sporting liderado nas duas seguintes e a partir da quarta ronda após vitória sobre os leões em Alvalade passou a comandar de forma isolada até ao final.

As duas equipas chegaram a esse confronto com três vitórias em igual número de jogos mas em Alvalade os dragões impuseram se com um triunfo por dois a um que se revelou decisivo tanto no plano prático como psicológico para o desenrolar do campeonato.

Farioli inicialmente contestado por deixar Rodrigo Mora no banco jogador que tinha destacado se no FC Porto na temporada anterior e era idolatrado pela adeptos saiu validado desse encontro com os dragões a transformarem se numa autêntica máquina de vitórias.

Mesmo perdendo rapidamente o brilho inicial com quatro triunfos por mais de dois golos nas primeiras sete jornadas e apenas mais três até ao fim da prova o FC Porto mostrou se letal e apenas não completou a primeira volta sem derrotas devido a uma anulação em casa perante a estratégia defensiva de José Mourinho.

Para além disso os azuis e brancos somaram dezasseis vitórias e entraram na segunda metade da prova com uma vantagem confortável de sete pontos sobre o Sporting e dez sobre o Benfica.

No arranque do segundo período na vigésima jornada o FC Porto sofreu um desaire inesperado no terreno do Casa Pia por um a dois precisamente antes de receber o Sporting num jogo em que teve a vitória ao alcance e a viu escapar nos minutos finais.

Os dragões aumentaram a vantagem ao garantirem superioridade no confronto direto mas ainda foram surpreendidos ao não conseguirem manter a dianteira na Luz onde de zero a dois passaram a dois a dois na vigésima quinta jornada e ao perderem uma vantagem em casa diante do Famalicão na vigésima oitava jornada.

Com um jogo em atraso o bicampeão Sporting aproximou se a cinco pontos impedindo o FC Porto de cometer erros mas quem acabou por falhar foram os leões que perderam definitivamente o título na trigésima jornada ao serem derrotados em casa pelo Benfica por dois a um.

A partir daí passou a ser apenas uma questão de tempo e na trigésima segunda jornada com o Sporting em dificuldades que lhe custaram inclusive a segunda posição temporariamente para o Benfica os dragões garantiram matematicamente o seu trigésimo primeiro título.

Este sucesso deveu se em grande parte aos novos reforços com destaque para o central Bednarek e o médio Froholdt bem como à inteligente gestão de Farioli que após a pausa de inverno privilegiou a Liga Portugal na rotação de jogadores.

Alberto Costa Kiwior Gabri Veiga e Borja Sainz trouxeram também qualidade ao grupo tal como os novos elementos Fofana e Pietuszewski enquanto entre os que já estavam no plantel foram determinantes Diogo Costa Alan Varela Pepê e Samu que se lesionou cedo deixando a equipa sem um dos seus principais goleadores.

O FC Porto dominou e fê lo ainda em homenagem a Jorge Costa histórico jogador dos dragões que faleceu a cinco de agosto de dois mil e vinte e cinco enquanto diretor do clube e que permaneceu sempre na memória de todos.

A afirmação dos dragões impediu o Sporting de alcançar o primeiro tricampeonato em setenta anos depois de parecer ter encontrado no colombiano Luis Suárez um digníssimo sucessor de Viktor Gyökeres.

Os leões na primeira temporada completa de Rui Borges acabaram com o melhor ataque da prova com oitenta e nove golos em grande medida graças aos vinte e oito de Suárez e foram muitas vezes elogiados pela qualidade do seu futebol mas vacilaram nos encontros com os principais rivais.

Contra as melhores equipas o Sporting não venceu nenhum jogo somando derrotas em casa diante do FC Porto e do Benfica e empates nos restantes incluindo ambos com o SC Braga e até com o Gil Vicente então na quarta posição onde deixou escapar inúmeras vantagens algumas nos descontos.

As frequentes lesões de jogadores como Pedro Gonçalves Quenda Bragança ou Nuno Santos e a participação na Liga dos Campeões até aos quartos de final complicaram a tarefa num grupo onde se notaram ainda Maxi Araújo Francisco Trincão Catamo Gonçalo Inácio e o capitão Hjulmand.

O Sporting garantiu o segundo posto também devido aos tropeções do Benfica que mudou de treinador após apenas quatro jornadas com Bruno Lage a ser substituído por José Mourinho e viveu uma campanha cheia de altos e baixos sem nunca mostrar grande fiabilidade.

Por isso causa estranheza que tenha terminado invicto um feito notável que nenhum clube tinha alcançado em trinta e quatro jornadas e que apenas quatro vezes ocorreu em trinta sendo caso único na Europa em dois mil e vinte e cinco e vinte e seis.

O problema residiu nos onze empates o número mais elevado desde os treze do quarto classificado em dois mil e sete e oito que impediram o Benfica de lutar pelo título e que estiveram na origem da perda da segunda posição no final da prova entre constantes queixas sobre as arbitragens.

O desaparecimento de Pavlidis na segunda volta onde marcou apenas cinco golos depois de dezassete na primeira também não ajudou num plantel onde os novos jogadores não corresponderam na totalidade exceto Richard Ríos e Dedic e onde se destacou no final a classe do norueguês Schjelderup.

Muito abaixo terminou o SC Braga que foi o rei dos pequenos pela nona temporada consecutiva desde dois mil e dezassete e dezoito mas cedo perdeu qualquer hipótese de intrometer se entre os grandes ao vencer apenas três jogos nas primeiras dez jornadas.

Na estreia do espanhol Carlos Vicens os arsenalistas mantiveram se em queda com cinquenta e nove pontos contra sessenta e seis em dois mil e vinte e quatro e vinte e cinco sessenta e oito em dois mil e vinte e três e vinte e quatro e setenta e oito em dois mil e vinte e dois e vinte e três num percurso onde se destacaram o guarda redes Hornicek o central Lagerbielke e os avançados Zalazar novo reforço do Sporting para dois mil e vinte e seis e vinte e sete e Ricardo Horta.

O conjunto minhoto que perdeu ambos os jogos com o FC Porto e empatou os quatro com Benfica e Sporting ficou longe da frente mas com uma segunda volta superior à primeira terminou isolado e com folga para os perseguidores.

Nos distritais em dois mil e oito e nove e no terceiro escalão em dois mil e catorze e quinze o Famalicão foi o melhor dos outros ao conquistar o quinto posto a sua melhor classificação de sempre num percurso ascendente em que somou dez pontos mais na segunda volta do que na primeira.

Sob a orientação de Hugo Oliveira o Fama primou pelo futebol de qualidade com jogadores como Gustavo Sá Mathias de Amorim Gil Dias Sorriso Justin de Haas ou Rodrigo Pinheiro superando o sexto lugar de dois mil e dezanove e vinte.

Em sexto lugar fechou o Gil Vicente de César Peixoto que depois de ter sido a sensação da primeira volta quando terminou em quarto caiu na segunda volta sem o goleador Pablo vendido ao West Ham mas ainda com Luis Esteves Santi García ou Murilo em boa forma.

Longe dos lugares europeus mas também distantes da zona de perigo terminaram o Moreirense de Vasco Botelho da Costa em sétimo apesar de ter caído muito na segunda volta dezasseis pontos contra vinte e sete e o Arouca de Vasco Seabra que em sentido inverso com grande recuperação na segunda metade vinte e oito contra catorze terminou em oitavo.

O Vitória SC que mudou de treinador Luís Pinto por Gil Lameiras após a vigésima quinta jornada foi apenas nono enquanto o Estoril Praia de Ian Cathro fechou em décimo com o marroquino Begraoui em grande destaque com vinte golos e o austríaco Felix Bacher como único jogador de campo com todas as presenças.

No regresso à Liga o Alverca de Custódio Castro não passou por sobressaltos e terminou em décimo primeiro enquanto o Rio Ave com a perda a meio dos goleadores Clayton e André Luiz não conseguiu mais do que o décimo segundo lugar sob a liderança do grego Sotiris Silaidopoulos.

O Santa Clara com uma boa ponta final coincidente com a entrada de Petit no lugar de Vasco Matos subiu até ao décimo terceiro posto enquanto o Nacional de Tiago Margarido foi décimo quarto apoiado nos dezoito golos em trinta e sete do venezuelano Jesús Ramírez.

O Estrela da Amadora que começou com José Faria passou por João Nuno e terminou com Cristiano Bacci salvou se na última jornada graças ao croata Stefan Lekovic fechando em décimo quinto à frente de um Casa Pia que acabou com a invencibilidade do FC Porto e empatou duas vezes com o Benfica mas terminou apenas em décimo sexto e disputará o play off sob o comando de Álvaro Pacheco após João Pereira e Gonçalo Brandão.

Depois de uma época em que estiveram quase sempre na cauda da tabela o Tondela orientado por Ivo Vieira Bacci e Gonçalo Feio desce um ano depois de subir enquanto o AFS liderado por José Mota João Pedro Sousa e João Henriques só venceu pela primeira vez na vigésima segunda jornada e desce dois anos após a subida.