Pizzi reflete sobre o tempo no Benfica: "Ocorreram situações que nunca deveriam ter existido"
Depois de ter passado por equipas como SC Braga, Atlético Madrid, SL Benfica, Estoril Praia, Espanyol, Deportivo e Paços de Ferreira, Pizzi falou com Sérgio Filipe Oliveira, Paulo Sérgio e Marinho, na DAZN, acerca de diversos episódios da sua carreira, a sua estadia no Benfica, os treinadores que mais o influenciaram e o que reserva o futuro, numa altura em que já frequenta o curso de treinador.
O episódio na íntegra "DAZN Europa - Especial Pizzi" pode ser visto sem custos na DAZN por todos os utentes que tenham conta registada na aplicação.
Perfil de treinador: "Identifico-me muito mais com um Luis Enrique, obviamente que penso que temos de nos adaptar um pouco à situação em que nos encontramos, ao contexto. Se estivesse no Paris Saint-Germain, sem dúvida que a minha forma de jogar seria igual ou muito semelhante, e se calhar no Arsenal também poderia ser, porque o Arsenal tem jogadores de enorme qualidade que podem desequilibrar a qualquer altura. Mas é assim. Acho que podemos gostar mais ou menos do futebol do Arsenal ou do Arteta, mas a verdade é que eles são muito, muito competentes naquilo que fazem e penso que têm demonstrado isso ao longo do tempo. Não é propriamente o futebol que eu gosto ou que adoro ver, mas eles são muito competentes e fazem-no muito bem."
Rui Vitória no Benfica: "Acredito que no futebol existem diversas perspetivas, diferentes formas de entender o jogo. Estamos a referir-nos, por exemplo, a dois treinadores totalmente opostos, o Mister Jorge Jesus e o Rui Vitória. Um baseava-se muito no grito e numa paixão imensa. O outro na calma, na serenidade, no saber comunicar contigo, no saber conduzir-te para onde ele pretende ou para extrair, como dizia o Marinho, o melhor de ti, o teu máximo rendimento. Nesse aspeto, o Vitória, tanto no Paços como depois no Benfica, foi sem dúvida fundamental para mim. Aliás, posso confessar: quando o Mister Jorge Jesus saiu para o Sporting e soube que o Mister Rui Vitória era o escolhido para o Benfica, senti um enorme alívio, porque sabia que tinha ali alguém que, sem qualquer dúvida, iria apostar em mim e desejava tirar o melhor de mim para que eu pudesse crescer e evoluir enquanto jogador."
Trabalhar com Jorge Jesus: "Não, tivemos um jogo, um daqueles de preparação, não propriamente amigável, mas sim um jogo-treino. A meio da época, contra o Mafra, e foi marcado um livre. O Mister Jorge Jesus não era o árbitro, mas era quem decidia ali no campo. O Mafra marcou golo na sequência desse livre. E ele disse: 'Pára, pára, espera aí. Volta a repetir. A barreira estava mal colocada.' Isto já depois do golo. Aquilo gerou uma grande confusão com o Mafra. Eles quase abandonaram o relvado. Estávamos ali para treinar. E claro que os jogos de treino são competitivos, mas o mais importante é jogares e cresceres enquanto equipa. Ele mandou repetir o livre e da segunda vez já não foi golo. E pronto. Foi uma história bonita, entre muitas outras."
Situação no Benfica: "Foi uma situação complicada. É evidente que o reconhecimento que me foi atribuído, eu durante muitos anos, ou seja, ainda hoje tenho um enorme reconhecimento por parte dos adeptos do Benfica, por todo o lado e os adeptos do Benfica demonstram um carinho gigante por mim. É claro que existem fases das épocas e dos anos em que talvez não fui tão valorizado como poderia ter sido. Em Portugal temos um grande problema, que é... esquece-se depressa. Esta é a minha opinião. Acredito que, se um jogador permanece muito tempo num clube, as pessoas vão-se cansando daquilo que ali está, do jogador, da pessoa, e começam a entrar noutros níveis e noutras situações que não deveriam acontecer. E penso que isso aconteceu um pouco comigo no Benfica. Durante muitos e muitos anos vencíamos e vencíamos bem e éramos campeões. E talvez isso se tenha tornado, para os benfiquistas e para todos os que estão ligados ao Benfica, algo normal, porque conquistámos quatro campeonatos seguidos, ou seja, era normal ganhar e depois, quando não se ganha, as pessoas começam a dizer: 'mas aquele, aquele já tem de ir, já, tem de vir outro.' Isto torna-se uma bola de neve e acho que ocorreram ali situações que não deviam ter ocorrido, que acabaram por terminar no que terminaram. Mas em relação aos adeptos, às pessoas e à estrutura do Benfica, não tenho nada a apontar, porque sempre fui tratado muito bem e muito bem recebido."