Mundial de 2026: Luca Zidane, o peso do nome, a esperança de um destino argelino

Mundial de 2026: Luca Zidane, o peso do nome, a esperança de um destino argelino

A incerteza foi em parte esclarecida com a divulgação oficial, no domingo, da lista de 26 jogadores chamados pelo selecionador Vladimir Petkovic para o Mundial, tendo convocado quatro guarda-redes como precaução, embora apenas três possam ser inscritos.

Zidane, atualmente no Granada, figura ao lado do capitão incontestável Riyad Mahrez e do defesa do Lille Aïssa Mandi, que já tinha estado presente no último Mundial da Argélia, em 2014, no Brasil.

Numa seleção em fase de reconstrução, o Mundial pode representar um ponto de viragem para o guarda-redes, se ele confirmar o regresso ao seu melhor nível, aquele em que poderá deixar de ser apenas 'o filho de'.

Tanto na Argélia como em França, o seu nome evoca uma figura lendária. Zinédine Zidane, que goza de grande popularidade em ambas as margens do Mediterrâneo, deu o título mundial aos Bleus em 1998. Já em 2006, foi recebido como um chefe de Estado e condecorado pelo então presidente argelino Abdelaziz Bouteflika, entretanto afastado do poder e já falecido.

O 'amor' pela Argélia

Por isso, quando quase vinte anos mais tarde Luca optou pela Argélia como nacionalidade desportiva, após ter representado as seleções jovens francesas, a sua chegada aos Fennecs suscitou expetativa e curiosidade.

Na altura, os órgãos de comunicação locais saudaram o 'grande golpe mediático' alcançado pela Federação Argelina (FAF) e sublinharam a 'necessidade premente' da seleção nacional em encontrar um guarda-redes de qualidade.

Por seu lado, afirma o 'amor' da sua família pela Argélia. 'Isto não se consegue explicar', declarou ainda recentemente à revista Onze Mondial.

'Temos uma cultura argelina desde pequenos e são os meus avós que nos transmitem esse amor', acrescentou. 'Quando visto a camisola da seleção, quando ouço o hino nacional, são emoções incríveis'.

Ver Luca Zidane, de 28 anos, a defender a baliza argelina no Mundial, num grupo J que integra a Argentina (detentora do título), a Áustria e a Jordânia, não dependerá apenas da sua vontade, mas sobretudo da sua recuperação total depois das fraturas no maxilar e no queixo, acompanhadas de uma concussão cerebral, sofridas ao serviço do Granada no final de abril frente ao Almería.

Foi por isso que o selecionador Vladimir Petkovic, confrontado com um verdadeiro dilema devido a outros dois guarda-redes lesionados (Anthony Mandréa com uma luxação no ombro e Melvin Mastil que foi operado a uma hérnia inguinal), convocou quatro guarda-redes. Estes são Oussama Benbot (USM de Argel), Abdelatif Ramdane (MC Argel) e Luca Zidane.

'Valor seguro'

O antigo capitão da seleção argelina Mahmoud Guendouz, que participou em dois Mundiais (1982 e 1986), manifestou a sua preocupação com esta situação. 'Estamos em apuros após a lesão dos três guarda-redes', afirmou, lamentando a falta de 'planeamento' a longo prazo.

Para o escritor Saïd Selhani, a convocação de Luca Zidane é incontornável. É 'uma excelente escolha para a seleção nacional, um valor seguro. Está mais bem formado e tem melhor preparação para jogar o Mundial. Tecnicamente, o seu nível é superior ao da maioria dos guarda-redes do campeonato nacional'.

Embora Luca Zidane se tenha afirmado na seleção argelina como uma evidência em apenas seis jogos, quatro dos quais na Taça das Nações Africanas, o seu percurso nos clubes tem sido irregular. Depois de estrear no banco do Real Madrid, então treinado pelo seu pai, tentou relançar a carreira no Racing Santander e no Rayo Vallecano, antes de chegar ao Eibar e depois ao Granada, na LaLiga 2.

Para Luca Zidane, a comparação constante com Zinédine é tão pesada quanto inevitável. Contudo, enquanto último reduto da equipa campeã de África em 2019, terá uma excelente oportunidade de se libertar dessa sombra perante o mundo, na mais prestigiada das competições.

Ao mesmo tempo que conquista um lugar especial no coração dos argelinos.