Mundial 2026: Semenyo superou a rejeição e chega como estrela para Carlos Queiroz
Atualmente no Manchester City, Semenyo deverá ter um papel crucial numa seleção do Gana comandada pelo novo treinador Carlos Queiroz, depois de os Black Stars não terem conseguido a qualificação para a última Taça das Nações Africanas.
Quatro anos equivalem a uma eternidade no futebol, como ilustra claramente a rápida ascensão de Semenyo desde a eliminação do Gana na fase de grupos no Catar.
Semenyo acumulou apenas 19 minutos em duas substituições numa campanha desapontante no Mundial 2022, mas pouco mais de um mês depois saltou para a Premier League ao transferir-se do Bristol City para o Bournemouth.
O jogador de 26 anos raramente olhou para trás. O seu percurso impressionante oculta uma trajetória difícil, marcada por recusas, que fizeram Semenyo considerar seguir um caminho completamente diferente.
Depois de três temporadas no Bournemouth, o Manchester City ativou a cláusula de rescisão de Semenyo em janeiro, numa transação avaliada em 75 milhões de euros, ultrapassando a concorrência do Liverpool, Manchester United, Chelsea e Tottenham.
Semenyo rapidamente conquistou os fãs do City, ao marcar um dos maiores golos de sempre numa final da Taça de Inglaterra, com um toque de calcanhar ousado que assegurou a vitória por 1-0 frente ao Chelsea em Wembley, no início deste mês.
Esse momento teve um toque de ironia: Semenyo nasceu a poucos metros de Stamford Bridge, estádio do Chelsea, na zona oeste de Londres.
Embora tenha vivido toda a vida em Inglaterra, Semenyo afirmou que nunca teve dúvidas sobre representar o Gana.
"A minha mãe e o meu pai são Gana de corpo e alma. Nunca falaram de Inglaterra", afirmou à FIFA.
"Claro, a viver em Inglaterra, há sempre quem diga: 'Deviam representar Inglaterra'. Mas nunca foi uma questão para mim. O Gana surgiu quando tinha 19, 20 anos, por isso nunca iria recusar".
Carácter e resiliência
O carácter e a resiliência de Semenyo foram formados na juventude. Depois de ter sido recusado pelo Arsenal, Tottenham, Crystal Palace e Millwall, afastou-se do futebol durante um ano.
Mas o futebol corre-lhe nas veias. O seu pai, Larry, jogou ao lado do antigo avançado do Leeds, Tony Yeboah, no principal escalão do Gana, enquanto o irmão mais novo, Jai, faz parte do plantel do Lorient, da Ligue 1.
Semenyo foi atraído de novo para um programa de academia de formação no sudoeste e acabou por chegar ao futebol profissional, despertando o interesse de vários clubes enquanto estudava ciências do desporto.
Com intenção de ficar na região, escolheu o Bristol City e assinou o seu primeiro contrato pouco depois de fazer 18 anos.
As oportunidades não apareceram facilmente. O clube emprestou-o várias vezes no início da carreira, antes de ele conquistar um lugar na equipa principal.
A estreia pelo Gana ocorreu em junho de 2022 e Semenyo acabou por assegurar a transferência para a Premier League, firmando-se como um dos extremos mais perigosos sob a orientação de Andoni Iraola. Pep Guardiola acredita que o melhor ainda está por vir.
"É surreal, para ser honesto. Falo disso com os meus amigos constantemente. Nunca pensei chegar tão longe", afirmou Semenyo.
"Achei que ser profissional já era suficiente, assinar pelo Bristol City era suficiente para mim. Por isso, dizer que vou (novamente) ao Mundial... sim, é incrível".
A chegada ao City reforçou a sua reputação como um dos extremos mais temidos do futebol inglês, mas não esqueceu todo o esforço necessário para chegar onde se encontra.
"Agora é a minha mentalidade. Tenho de ser resiliente. Tenho de trabalhar mais do que os outros. Sempre tive isso, toda a minha vida. Dá-me aquela garra extra, aquela vontade de lutar", afirmou Semenyo à Sky Sports no ano passado.