Mundial-2026: Seleção iraniana é recebida em festa no regresso a Teerão

Mundial-2026: Seleção iraniana é recebida em festa no regresso a Teerão

"Irão, Irão!", cantavam os adeptos, muitos deles crianças acompanhadas pelos pais, observou a AFP. Alguns deles agitavam bandeiras do país, e muitos também vestiam camisolas da Team Melli.

O entusiasmo foi comandado por um speaker que conduziu as boas-vindas e anunciou solenemente a chegada do avião da equipa, vindo da Turquia para pousar em Teerão. Ao desembarcarem, os jogadores foram recebidos por músicos em trajes militares que tocaram o hino nacional.

Muitos dos adeptos exibiam fotos do guarda-redes Alireza Beiranvand, que se tornou um herói nacional graças às suas defesas durante o empate (0-0) contra a Bélgica, na segunda jornada do Grupo G do Mundial. Apesar desse resultado contra o favorito do grupo, o Irão foi eliminado, terminando com um registo de três empates em três jogos.

Desculpas públicas

A seleção iraniana manteve-se com hipóteses de apuramento até ao final da fase de grupos, sonhando em avançar como uma das melhores terceiras classificadas, mas o objetivo não foi alcançado.

"Pedimos desculpas por não nos termos apurado (para a fase a eliminar) e por não vos termos proporcionado essa alegria", declarou Beiranvand ao chegar ao Aeroporto de Mehrabad.

"Merecíamos ir mais longe, mas eles dificultaram a nossa tarefa", lamentou o lateral-direito Ramin Rezaian, referindo-se aos Estados Unidos, coanfitrião do Mundial e país que, ao lado de Israel, atacou o Irão em 28 de fevereiro, desencadeando uma guerra no Médio Oriente.

Nunca antes um país-sede do Mundial havia recebido uma seleção contra a qual mantinha um conflito aberto e essa hostilidade marcou os preparativos para o torneio. A participação do Irão ficou incerta até pouco antes da competição, e a equipa mudou a sua base de concentração de última hora, optando por ficar em Tijuana (México) ao invés de Tucson (Arizona, Estados Unidos).

O governo americano negou a concessão de vistos a vários membros da delegação iraniana, principalmente autoridades, incluindo o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj, ex-integrante da Guarda Revolucionária, organização classificada como grupo terrorista por Washington.

A seleção persa sentiu-se "maltratada" em diversas ocasiões durante a sua campanha no Mundial e criticou duramente as restrições impostas que limitavam o seu tempo em solo americano, depois de ter sido obrigada a viajar na véspera dos seus dois primeiros jogos, fazendo trajetos de ida e volta entre México e Estados Unidos em menos de 24 horas e causando desgaste físico aos jogadores.