Mundial 2026: Responsabilidade de Cabo Verde aumenta com a projeção

Mundial 2026: Responsabilidade de Cabo Verde aumenta com a projeção

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As escolas de formação precisam de proporcionar melhores condições para que os jogadores estejam mais preparados, porque agora há muitos mais olhares da Europa a vir para Cabo Verde à procura de talentos. Se um país tão pequeno consegue estar num Mundial, algo de especial deve existir ali”, afirmou à agência Lusa o antigo médio, de 41 anos, que somou 53 jogos e três golos pelos tubarões azuis entre 2006 e 2021.

Cabo Verde vai defrontar a campeã europeia Espanha, vencedora em 2010, o Uruguai, campeão em 1930 e 1950, e a Arábia Saudita no Grupo H do Mundial, cuja 23.ª edição decorre de 11 de junho a 19 de julho e integra pela primeira vez 48 seleções, incluindo Portugal, num total de 104 jogos, sob a inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.

(O desafio) É querer sempre mais, não parar por aqui nem pensar que vamos ao Mundial e está tudo resolvido. Há muitas gerações futuras e é essencial dar as melhores condições aos jovens, porque isso terá grande impacto social. Muitas crianças que viam a vida de uma certa forma agora podem querer jogar pela seleção. A grande questão é fazê-las continuar a acreditar que é possível estar num Mundial um dia”, explicou Marco Soares, antigo treinador adjunto do Paredes, da Liga 3.

Cabo Verde vai tornar se o 14.º país africano, e quarto lusófono, a competir no principal torneio internacional de seleções, entrando na história como o terceiro com menor população, atrás da Islândia, ausente nesta edição, e do também estreante Curaçau, e o segundo mais pequeno em área.

Cabo Verde tem de aproveitar ao máximo uma montra como o Mundial. Os jogadores têm de se valorizar cada vez mais e projetar o desporto cabo verdiano, que tem crescido bastante nos últimos tempos”, destacou, vendo também novos desafios logísticos num país dependente do turismo.

A estreia no Mundial coroa um percurso ascendente dos tubarões azuis, que detetaram talentos na diáspora, sobretudo espalhados por Portugal, França ou Países Baixos, e cresceram em competitividade nos últimos anos, fazendo história a partir do alargamento de cinco para nove vagas diretas de qualificação em África, mais uma através do play off.

Durante os anos em que jogava, perdemos muitos atletas com raízes cabo verdianas, porque não tínhamos a dimensão de outras seleções. O mais importante é que quem quiser representar Cabo Verde o faça de coração e com amor, pois só assim se consegue o melhor desempenho. Esse é o espírito que reina na seleção. É claro que isto vai abrir muitas portas. Mas não pode ser para benefício pessoal, sim coletivo”, alertou.

Referindo os capitães Ryan Mendes, Vozinha, Garry Rodrigues e Stopira, Marco Soares vê os seus antigos companheiros de seleção como influentes no equilíbrio do grupo e na transmissão da mística aos novos internacionais.

Por exemplo, Sidny Lopes Cabral, do Benfica, tem imenso potencial, está num nível muito elevado e é o espelho do crescimento dos jogadores cabo verdianos. Teve um crescimento brutal em três anos e agora vai disputar o Mundial e ser uma das caras de Cabo Verde. Como ele, há mais atletas de qualidade a surgir e isso é meio caminho andado para as coisas acontecerem. Nesse sentido, Cabo Verde está bem entregue”, sublinhou.

Nascido em Setúbal e com grande parte da formação cumprida no Barreirense, o antigo médio esteve em duas das quatro presenças dos tubarões azuis na Taça das Nações Africanas (CAN) e afirma que há mais e melhores recursos comparativamente à estreia em 2013, marcada pela “dedicação e patriotismo de uma seleção com a qual o povo se identificou”.

A grande diferença é que, neste momento, podemos tirar três jogadores da frente e colocar outros com tanta ou mais qualidade. O leque de opções deve se muito ao crescimento da diáspora”, concluiu Marco Soares, que jogou por UD Leiria, Feirense ou Arouca, entre outros clubes portugueses.