Mundial 2026: Quatro anos após jogar na escola, Lamine Yamal corre atrás do estrelato
Em entrevista à RFEF, declarou: "Finalmente, o momento chegou. Acho que desde o fim do Europeu, todos nós pensávamos neste dia e estamos muito animados. Chegamos como a equipa que somos, campeões europeus, e vamos dar o nosso melhor".
Lamine Yamal não joga desde abril, devido a uma lesão que sofreu no Barcelona, e havia a preocupação de que não estivesse apto para o Mundial.
A sua inclusão na equipa de Luis de la Fuente dissipou esses temores, mas isso não o impediu de ter o torneio sempre na mente assim que sentiu a lesão na coxa.
"Lembro-me perfeitamente do momento em que me magoei. Por dentro, pedia para que não fosse nada, que fosse apenas uma cãibra ou algo ligeiro, porque sentia que o Mundial estava tão perto e percebi logo que era uma lesão muscular, algo que nunca tinha tido antes, mas sabia que não seria uma recuperação rápida. Por isso, tive receio de que fosse grave e, acima de tudo, de que mesmo não sendo grave, pudesse ter uma recaída e falhar o Mundial".
"Também é verdade que ajuda saber que vamos jogar um Mundial, por isso a cabeça sente como se não tivéssemos feito um único jogo durante toda a época, e estou mesmo com muita vontade de estrear".
Com apenas 18 anos, destacou-se no Euro 2024, ajudando a Espanha a conquistar o seu primeiro grande troféu desde 2012, altura em que Lamine Yamal tinha apenas quatro anos. O foco sobre ele só aumentou após as exibições consistentes pelo Barcelona, o que o obrigou a amadurecer rapidamente.
"Na minha cabeça, parece que jogo futebol há 10 anos, mas na realidade passaram três anos, e há quatro anos estava a jogar com eles no pavilhão desportivo local. Portanto, um miúdo que jogava contigo há três anos vai agora jogar um Mundial. Tem de ser algo louco, mesmo muito louco", explicou.
Nesta curta mas impressionante carreira, já conquistou grandes títulos pelo clube e pela seleção, mas o Mundial é o sonho de qualquer criança, e Lamine Yamal não é exceção.
Questionado se já pensou em levantar o troféu Jules Rimet, respondeu: "Mil vezes, no meu quarto ou quando ganhávamos um jogo no pavilhão do meu bairro, porque acho que o Mundial é o maior feito do futebol".
Devido à sua ascensão meteórica, Lamine Yamal conquistou uma legião de adeptos, algo que conhece bem, pois em criança idolatrava Neymar, alguém que até pode enfrentar neste Mundial.
Questionado sobre os seus fãs, disse: "São aqueles com quem mais me identifico. No fundo, quando vejo um miúdo, sei que na cabeça dele está a ver o seu ídolo e não percebe..."
"Não é que esteja a ter um mau dia, acho que nesse momento temos mesmo de parar e tirar uma foto, porque quando era pequeno, o meu ídolo era o Neymar e teria feito tudo por uma foto com o Neymar em criança, tudo mesmo".
"Se me dissessem para ir à Rússia de comboio, teria ido à Rússia de comboio só para tirar uma foto com ele. Por isso, sim, identifico-me muito com eles porque sei que só pensam que estão à frente do seu ídolo e querem ser como ele e querem uma foto com ele", declarou.
Espanha vai defrontar Cabo Verde, Arábia Saudita e Uruguai no Grupo H, sendo esperado que La Roja ultrapasse esta fase com facilidade. Depois, as atenções vão virar-se para adversários mais fortes e exigentes, caso a Espanha queira repetir o sucesso de 2010.
"No fim de contas, jogamos contra equipas muito boas. Se jogarmos contra a França, posso ser muito importante, mas se a equipa não estiver bem, não há nada a fazer. Por isso, entro com essa motivação porque sei que temos uma grande equipa, das melhores de sempre, e temos jogadores muito importantes".
"A começar pelo Rodri, que é vencedor da Bola de Ouro. O (Mikel) Oyarzabal, que para mim é top, está entre os melhores avançados do Mundial, acho-o fantástico. E está confiante também. Temos o Pedri. Adoro vê-lo jogar. Posição a posição, a começar pelo (Marc) Cucurella, que esteve no Europeu, parece outro jogador. Temos um plantel cheio de grandes jogadores e na baliza temos os três melhores", analisou, por fim.