Mundial 2026: Presidente da Federação afirma que há confiança na vitória de Cabo Verde sobre Espanha

Mundial 2026: Presidente da Federação afirma que há confiança na vitória de Cabo Verde sobre Espanha

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Qual é o objetivo e o estado de espírito da equipa neste Mundial?

O nosso objetivo é avançar o mais longe possível. Contudo, não devemos fixar metas irrealistas. A nossa ambição mínima é ultrapassar a primeira fase, essa é a grande meta. O nosso lema é 'nu bai (vamos!)'. Em crioulo, significa que vamos com energia e força. Disse aos jogadores que este é um momento para desfrutar, sem receio algum. Vamos com sentido de realidade, mas com uma meta ambiciosa.

O seu primeiro jogo é na segunda-feira contra Espanha, uma das favoritas ao título. Como encaram este encontro?

Por natureza somos otimistas e há cabo-verdianos que acreditam que vamos vencer a Espanha. Sabemos que é extremamente difícil... e que a Espanha é uma das melhores seleções do mundo, mas no futebol nada está decidido até ao apito final. Temos de o enfrentar e ser realistas, mas não devemos ter uma atitude derrotista antes do jogo. Temos um selecionador experiente que saberá escolher as melhores estratégias possíveis, não só contra a Espanha, mas também contra as outras equipas.

Leva 24 anos à frente da federação, qual é, na sua opinião, a receita do sucesso desta seleção?

Temos uma diáspora importante e jogadores que vivem no estrangeiro e acrescentam valor à seleção nacional: entre os que vivem fora e os que estão cá, conseguimos formar uma grande equipa e a simbiose perfeita. O jogador cabo-verdiano tem talento e excelentes qualidades técnicas, e com a experiência de profissionalização de alguns, tudo isto trouxe qualidade à nossa seleção.

Os programas da FIFA também foram determinantes para a melhoria do futebol cabo-verdiano através de subsídios, programas de desenvolvimento e financiamento de infraestruturas desportivas, isso mudou muito o panorama do futebol em Cabo Verde. O principal desafio foi e continua a ser o financiamento do futebol, tal como noutros desportos. Os recursos são escassos e não temos grande margem de manobra. O outro desafio é sermos ilhas, e as equipas enfrentam restrições nas deslocações, que por vezes podem comprometer a realização das competições.

Que impacto tem esta histórica qualificação na sociedade cabo-verdiana?

A maioria dos cabo-verdianos não esperava que pudéssemos estar qualificados para o Mundial, tendo em conta a falta de meios e a grande competitividade do continente africano... Penso que é um sonho que todos conseguimos concretizar e estamos muito satisfeitos. A nossa participação vai motivar imenso as pessoas a jogar futebol. É sabido que temos problemas sociais entre os jovens, violência, droga, álcool... e acredito que quando se joga futebol, as coisas más desaparecem. Podemos dar um contributo social muito importante para a juventude.