Mundial-2026: Polícia de Hong Kong emite alerta sobre apostas em portais estrangeiros
“Alguns sites de jogo online declaram estar legalmente registados no estrangeiro”, afirmou o inspetor-chefe Wong Yu-fai, do departamento de crime organizado e tríades.
“Mas qualquer pessoa em Hong Kong que faça apostas nestes portais supostamente legais pode já ter cometido um crime”, sublinhou Wong, durante uma conferência de imprensa, citado pela comunicação social local.
A entidade sem fins lucrativos Hong Kong Jockey Club detém o monopólio das apostas em jogos de futebol e em corridas de cavalos na antiga colónia britânica.
O alerta surge depois de a FIFA ter designado em abril a ADI Predictstreet como a primeira plataforma do mercado de previsões oficial de um Mundial de futebol, num contrato avaliado em 150 milhões de dólares (130 milhões de euros).
Segundo a revista norueguesa Josimar, a empresa, sediada nos Emirados Árabes Unidos, foi criada em março, uma semana antes de assinar o acordo com a FIFA e, um dia depois, obteve uma licença de jogo em Gibraltar.
Estas plataformas permitem que os clientes comprem e vendam contratos ligados ao resultado de eventos futuros políticos, desportivos ou culturais, abrangendo uma vasta gama de situações.
A polícia de Hong Kong salientou que “plataformas de apostas oficialmente afiliadas” só estão acessíveis a residentes em determinadas jurisdições, incluindo na Europa.
A autoridade também alertou o público de que utilizar uma rede privada virtual, conhecida como VPN (sigla em inglês), ou qualquer outro serviço de ocultação de localização para fazer apostas em portais estrangeiros constituiria igualmente um crime.
A polícia de Hong Kong afirmou esperar um aumento das apostas ilegais durante o Mundial 2026 de futebol, depois de ter detido 735 pessoas durante o Europeu 2024 e 1.104 durante o Mundial 2022.
Em 2025, as autoridades registaram 374 casos de jogo ilegal, detiveram 4.482 pessoas e apreenderam documentos que comprovam a existência de apostas no valor de 1,1 mil milhões de dólares de Hong Kong (121,7 milhões de euros).
Em abril, o Governo de Hong Kong adiou a legalização das apostas em jogos de basquetebol, devido ao crescimento do investimento no mercado de previsões a nível mundial, que poderá alimentar “indiretamente atividades clandestinas”.
As autoridades salientaram que o volume de dinheiro investido no mercado de previsões triplicou em 2025, atingindo 64 mil milhões de dólares (54,4 mil milhões de euros).
Grande parte do crescimento recente deve-se às apostas desportivas, depois de plataformas como Polymarket e Kalshi terem assinado acordos com várias equipas de ligas desportivas.
O parlamento do território aprovou em setembro a legalização das apostas em jogos de basquetebol, que passariam a ser geridas pelo Jockey Club.