Mundial-2026: Negrete acusa Roberto Martínez de "desprezar" o futebol mexicano por causa de Paulinho
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“Acredito que o técnico (Roberto Martínez) não acompanha o futebol mexicano. Paulinho tinha lugar na seleção sem problemas. É um grande finalizador e estão a ignorar um jogador importante porque atua no México. Isso está errado. Na minha opinião, o treinador desvaloriza um pouco o futebol mexicano e pensa que é fácil o que Paulinho está a fazer”, afirmou à agência Lusa o ex-médio do Sporting, de 67 anos, que fez 73 jogos e 16 golos pelos aztecas e participou no Mundial de 1986 no seu país, marcando um golo para a história.
Apesar de ter voltado a ser chamado em março, após mais de cinco anos de ausência, e de ter participado nos amigáveis com o México (0-0), na reabertura do Estádio Azteca, na Cidade do México, e com os Estados Unidos (2-0), no 700.º jogo da história da seleção portuguesa, em Atlanta, Paulinho foi excluído das escolhas do técnico espanhol Roberto Martínez para o Campeonato do Mundo.
O avançado venceu a Liga dos Campeões da CONCACAF no sábado, com um triunfo caseiro do Toluca sobre os conterrâneos do Tigres na final, decidida nas grandes penalidades (6-5, após 1-1 nos 120 minutos), e foi eleito o melhor jogador e o artilheiro, tal como conseguiu em dois torneios de abertura e um de encerramento da Liga mexicana nas últimas duas temporadas, marcadas por dois títulos.
“Mostrou grande capacidade e qualidade numa equipa que recentemente tem sido campeã no México. É uma pena que não tenha sido convocado”, acrescentou Manuel Negrete, cuja primeira experiência no futebol europeu ocorreu em 1986/87 no Sporting, clube de onde Paulinho se transferiu para o Toluca.
Leia ainda, Liga dos Campeões da CONCACAF: Toluca, com Paulinho eleito MVP, sagra-se campeão (1-1, 6-5 nas grandes penalidades).
Na lista de convocados de Portugal está o avançado e capitão Cristiano Ronaldo, que se prepara para participar na maior competição de seleções pela sexta ocasião e vai igualar esse recorde com o argentino Lionel Messi e o mexicano Guillermo Ochoa, guarda-redes do AFS em 2024/25.
“Messi e Ronaldo são figuras históricas e tenho a sensação de que este será o último Mundial deles. Existem jogadores que detêm recordes no futebol, mas precisam de mostrar o seu valor neste final de carreira. Muitas pessoas vão querer vê-los, porque a simples presença deles já atrai a atenção”, observou.
Manuel Negrete espera obter um bilhete para ver um dos jogos de Portugal, que vai defrontar nos Estados Unidos os que regressam Colômbia e República Democrática do Congo e o estreante Uzbequistão no Grupo K.
“Ronaldo já não está ao seu melhor nível, mas continua a ser um finalizador de peso. Portugal tem jogadores de topo em todas as posições. É uma das equipas favoritas e espero que tudo corra bem, porque tem muita qualidade e capacidade. Acredito que Alemanha, França, Espanha e Portugal podem chegar às meias-finais”, adiantou, acrescentando que Brasil, único pentacampeão do mundo, e a Argentina, detentora do título, viram o seu rendimento cair.
Sobre o México, o ex-médio de Pumas UNAM, Atlante e Monterrey, entre outros clubes, considera que acolher o Mundial-2026 é uma combinação de “responsabilidade e orgulho” para a seleção de Javier Aguirre, seu companheiro de seleção em 1986 e treinador dos aztecas em 2002 e 2010, e “é benéfico para a nova geração” de jogadores, vários dos quais a jogar em clubes europeus.
“Há um jovem de 17 anos, o Gilberto Mora, que é muito talentoso, tem exibições de destaque na sua equipa (Tijuana) e já é convocado para a seleção. Esteve lesionado, mas atravessa uma boa fase e pode ser uma enorme surpresa”, afirmou, salientando também os avançados Raúl Jiménez, que representou o Benfica e está no Fulham, em Inglaterra, do treinador português Marco Silva, Santiago Giménez e Julián Quiñones, artilheiro da Liga saudita.
O México, campeão em 2023 e 2025 da Gold Cup, da qual é o maior vencedor (10 títulos), está na sua 18.ª participação, a nona seguida, em Campeonatos do Mundo e vai defrontar a Coreia do Sul e as que regressam República Checa e África do Sul no Grupo A, sendo que nunca ultrapassou os quartos de final, atingidos em casa em 1970 e 1986, e foi eliminado na fase de grupos em 2022.
“São jogos acessíveis para vencer, já que os adversários estão mais abaixo no ranking e agora a passagem é mais fácil. O México tem de chegar à fase seguinte e a preparar-se para enfrentar os mais fortes”, sublinhou Manuel Negrete, marcador de um golo contra a Bulgária nos oitavos de final em 1986, eleito pelos adeptos como o melhor de todas as edições do torneio.
A 23.ª edição do Campeonato do Mundo decorre de 11 de junho a 19 de julho e inclui pela primeira vez na história 48 seleções, incluindo Portugal, com um total de 104 jogos, sob uma organização tripartida inédita entre Estados Unidos, que recebeu a prova em 1994, México, anfitrião em 1970 e 1986, e Canadá.