Mundial-2026: Manifestantes alertam para crise dos desaparecimentos no México
Os manifestantes pretendiam alertar para o desaparecimento de 133 mil pessoas, um problema que tem marcado a sociedade mexicana há vários anos.
De acordo com os dados do Registo Nacional de Pessoas Desaparecidas e Não Localizadas (RNPDNO), que regista os desaparecimentos desde a década de 1950, no México há 133 mil pessoas desaparecidas.
Em resposta, o Comité das Nações Unidas contra os Desaparecimentos Forçados (CED) tem procurado chamar a atenção da Assembleia Geral da ONU para a crise dos desaparecimentos no México, considerando-os "crimes contra a humanidade".
A posição da ONU relativamente aos desaparecimentos alegadamente ligados ao crime organizado tem sido repetidamente rejeitada pelo governo mexicano.
Na noite passada, os milhares de manifestantes foram impedidos pela polícia de se aproximar do Estádio Cidade do México (Estádio Azteca), onde se realiza esta quinta-feira a cerimónia de abertura do Mundial de Futebol.
Apesar da presença policial, a marcha decorreu de forma pacífica, com milhares de pessoas concentradas na Avenida Tlalpan, no sul da capital mexicana.
"México, campeão dos desaparecimentos" e "Foram levados vivos, queremos que voltem vivos" foram algumas das palavras de ordem usadas pelos manifestantes.
As famílias dos desaparecidos, oriundas de diferentes estados do país, transportavam objetos alusivos ao Mundial de Futebol, como camisolas da seleção mexicana com os rostos dos desaparecidos.
"Queremos que o mundo saiba que temos muitas pessoas desaparecidas e que estão a ser investidos recursos noutras coisas enquanto os casos dos nossos familiares continuam por resolver", disse à agência de notícias espanhola EFE Ana Lucía Gasca, mãe de Ricardo Arturo Lagunes Gasca, desaparecido desde 2023.
Depois de percorrerem várias ruas, as famílias depararam-se com uma barreira policial onde se encontrava o secretário do Governo da Cidade do México, César Cravioto, que tentou falar com os manifestantes.