Mundial-2026: «I am from Bosnia, take me to America» é o primeiro êxito do torneio

Mundial-2026: «I am from Bosnia, take me to America» é o primeiro êxito do torneio

A banda de rock Dubioza Kolektiv adaptou uma das suas canções para o campeonato e, na passada terça-feira, esta nova versão já contava com vários milhões de visualizações em várias plataformas, a caminho de se tornar um dos grandes êxitos desta edição, que arranca a 11 de junho.

No videoclipe divulgado no final de maio, os músicos fintam com camisolas amarelas vestidas e instrumentos nas mãos enquanto cozinham ćevapi, um prato típico de carne grelhada dos Balcãs.

«O nosso vídeo, que terá custado seis marcos (três euros), foi filmado no bairro, que é, de certa forma, como uma favela na Colômbia ou no Brasil. Acho que as pessoas identificaram essa estética: o futebol é isso, uma bola remendada e uma baliza pintada na parede, e os pobres a jogar futebol», explicou à AFP Brano Jakubovic, de 47 anos, músico e letrista.

Milhões de visualizações nas redes sociais

O resultado: um milhão de visualizações no YouTube, números idênticos no Instagram e repercussão mundial.

«Estamos nas redes sociais. Mas hoje em dia é muito mais complicado atingir esse milhão de cliques, gostos e visualizações do que há cinco ou dez anos (...) por isso, quando um milhão de pessoas vê o vídeo numa semana e ele chega a todo o mundo, ficas satisfeito», explicou Vedran Mujavic, baixista da banda.

Tudo isto apesar de a canção não ser nova: U.S.A., editada em 2011, falava originalmente sobre como «os bósnios ou outros habitantes da Europa de Leste emigravam para os Estados Unidos em busca de uma vida melhor e do sonho americano», conta Brano.

«No final da música, os bósnios voltam para casa porque percebem que o sonho americano já não existe», comentou.

O refrão, «I am from Bosnia, take me to America» (em português: «Sou da Bósnia, levem-me à América»), ganhou um novo sentido no final de março, quando a seleção da Bósnia se qualificou para o Mundial ao eliminar a Itália no play-off europeu.

Em repetição

«Foi uma loucura total. A música tocava sem parar, uma e outra vez, não sei quantas dezenas de milhares de pessoas» estavam reunidas à espera dos jogadores após a vitória no estádio de Zenica, a 70 km da capital, recordou Brano Jakubovic, em Sarajevo.

Poucos dias depois, a banda decidiu adicionar uma estrofe em bósnio, para evocar o «trauma coletivo nacional» de 2014.

Na edição realizada no Brasil, que até agora era a única presença no Mundial, a Bósnia viu um golo anulado a Edin Dzeko por um fora de jogo inexistente no segundo jogo da fase de grupos, contra a Nigéria.

A seleção europeia acabou por perder esse jogo por 1-0 e, como resultado, ficou sem chances de avançar para os oitavos de final.

«Os psicólogos ganharam muito dinheiro depois desse fora de jogo, e as empresas farmacêuticas também ficaram ricas, porque todos os bósnios começaram a usar drogas pesadas. De uma forma ou de outra, era preciso dar vazão a esse trauma na música», brincou Brano.

A Bósnia, 65.ª no ranking da FIFA, vai jogar o seu primeiro jogo do Mundial a 12 de junho contra o Canadá.