Mundial-2026: Escócia regressa com a festa após 28 anos de ausência

Mundial-2026: Escócia regressa com a festa após 28 anos de ausência

Os adeptos escoceses são mais reconhecidos pela atmosfera que criam nos grandes torneios do que pelo futebol praticado pela sua seleção.

Ao longo de 12 participações anteriores, a Escócia nunca foi capaz de superar a fase inicial em Mundiais ou Europeus.

Contudo, cerca de 200 mil escoceses foram elogiados pelo ambiente que proporcionaram no Euro-2024, na Alemanha, ainda que a sua seleção não tenha vencido nenhum jogo.

Prevê-se que dezenas de milhares de adeptos enfrentem os preços exorbitantes para rumar a Boston e Miami nas próximas semanas.

"Se me tivessem dito há 28 anos que não voltaríamos a ver outro Mundial até agora, para ser sincero, teria desatado a chorar", afirmou Niall Fitzgerald, de 50 anos, à AFP, à entrada do Hampden Park, onde a Escócia venceu um particular diante do Curaçau no último fim de semana.

"Mas agora que vou, mal consigo acreditar. Todos os dias só penso nisso. Estou mais do que entusiasmado", acrescentou o escocês, trajando um kilt e um chapéu de cowboy Stetson.

O regresso da Escócia ao palco mundial, que não acontecia desde o torneio de 1998 em França, foi assegurado com uma inesquecível vitória por 4-2 sobre a Dinamarca.

Para realçar a importância do retorno escocês ao Mundial, o pontapé de bicicleta de Scott McTominay nessa vitória emocionante foi imortalizado num mural gigante junto ao Hampden e numa nota de 20 libras de edição limitada.

Atormentada pelos fantasmas dos fracassos em Mundiais passados, a estreia da Escócia na competição diante dos modestos caribenhos do Haiti traz a esperança de que as multidões em deslocação possam festejar um arranque vitorioso.

Mas desafios bem mais complicados esperam pela equipa, frente aos semifinalistas de 2022, Marrocos, e aos pentacampeões Brasil.

"Acho que provavelmente vão levar muita bebida e festa. Penso que vão ser dos melhores adeptos presentes", afirmou o adepto Ivor Much acerca da capacidade da Escócia para gerar um ambiente de carnaval.

"Acho que é uma combinação perfeita ter o Brasil e a Escócia juntos".

"Roubado aos pobres"

Contudo, a euforia da qualificação foi atenuada pelos preços astronómicos dos bilhetes, das viagens e do alojamento.

O selecionador escocês, Steve Clarke, pediu aos adeptos que não contraíssem dívidas elevadas para acompanhar a Escócia na América do Norte.

Os ingressos de categoria um para o confronto com o Brasil custavam 700 dólares (cerca de 600 euros), com preços a ultrapassar os milhares no mercado paralelo.

"Os fãs polacos mostraram uma faixa num dos estádios no ano passado a dizer 'Roubado aos pobres, dado aos ricos' e acho que isso resume tudo", disse o adepto Steven Webster, que não falta a nenhum jogo caseiro da Escócia desde o confinamento da covid-19.

Assim, este escocês de 49 anos está entre os muitos que tencionam viajar para o sul de Espanha para assistir aos jogos em bares e viver a atmosfera festiva, mesmo que se encontrem a milhares de quilómetros do epicentro da ação.

"O custo de ir à América para os jogos dava para comprar um carro novo pelo mesmo valor. Em vez disso, vamos para Espanha. Neste momento, estou a sentir um pouco de FOMO (medo de ficar de fora)", afirmou Webster.

Mas para aqueles que têm a sorte de seguir os seus heróis do outro lado do Atlântico nas próximas semanas, a festa está apenas no início.

"Toda a gente estende a mão neste Mundial e tem sido uma pequena vergonha. Mas, dito isto, nada nos impediria de lá estar, custasse o que custasse", disse Fitzgerald.

"Toda a gente adora o Tartan Army. Mesmo que nunca tenham conhecido o Tartan Army, nunca querem que eles se vão embora, e querem sempre que regressem, uma e outra vez. É isso que levamos ao Mundial - a festa!"