Mundial 2026: Economistas preveem vitória da França e Portugal no top 5

Mundial 2026: Economistas preveem vitória da França e Portugal no top 5

Para 160 participantes de praticamente todos os continentes, esta sondagem, efetuada de quatro em quatro anos, constitui uma interrupção agradável nas suas projeções macroeconómicas, numa era assinalada por conflitos, crises energéticas e o retorno da discussão sobre inflação "transitória" ou persistente.

Desta feita, a incumbência dos economistas recai sobre o maior Campeonato do Mundo de sempre, uma prova com 48 seleções, que se desenrolará em 104 jogos pelos Estados Unidos, Canadá e México, sendo esta a primeira ocasião em que três países acolhem o evento.

A França obteve 35% dos votos na sondagem efetuada entre 11 de maio e 5 de junho, na ambição de conquistar uma terceira estrela para o seu equipamento, ultrapassando Espanha com 31%, um resultado que está em sintonia com plataformas de apostas como a Polymarket e que recolocaria a Europa no topo do futebol mundial.

Didier Deschamps, técnico da seleção francesa, seria o primeiro treinador desde Vittorio Pozzo, da Itália em 1938, a vencer dois Mundiais, e o único a fazê-lo após ter igualmente erguido o troféu enquanto jogador, em 1998.

A Argentina, atual campeã e primeira no ranking da FIFA, juntamente com Portugal e Inglaterra, fecham o top 5 dos favoritos.

"Após a desilusão da final de 2022, a França aparenta estar bem preparada para superar esse desempenho desta vez", declara Cathal Kennedy, economista sénior da RBC, baseado em Londres. O grupo mantém vários atletas que estiveram na última final, agora no pico das suas carreiras, e é reforçado pela emergência de alguns jogadores do PSG.

"A isto acresce a possibilidade de ter um Kylian Mbappé bem descansado para a prova". Mbappé, que acaba de terminar mais uma época prolífica no Real Madrid, foi eleito favorito na sondagem para a Bola de Ouro do torneio, destinada ao melhor jogador, e para a Bota de Ouro, para o melhor marcador.

Ficou ligeiramente à frente do capitão inglês Harry Kane, que ganhou a Bota de Ouro europeia depois de uma temporada recorde com 61 golos pelo Bayern Munique.

Outro recorde parece estar ao alcance de ambos os jogadores. Mbappé e Kane, com 12 e 8 golos no Mundial, respetivamente, estão entre os que tentam bater o recorde absoluto do alemão Miroslav Klose, de 16 golos, assim como Lionel Messi, com 13 golos.

Instinto básico

Também houve quem sonhasse. Dois inquiridos escolheram o Japão, um o México e um Marrocos, todos cenários dignos de um conto de fadas, entre os 8% que afirmaram que a lealdade guiou a sua escolha. Uma esmagadora maioria de 73% afirmou ter-se fiado no seu instinto.

"Como em qualquer modelo, a previsão foi ajustada com uma boa dose de intuição!", brincou Shannon Bold, economista sénior do Bureau de Pesquisa Económica em Joanesburgo. Cerca de 20% basearam os seus prognósticos em dados e modelos. "Os macroeconomistas reuniram-se para chegar a uma visão comum", explica Claudio Govender da RMB. Mas para o Brasil, o cenário é sombrio.

Nem a chegada de Carlo Ancelotti como selecionador foi suficiente para devolver a confiança, com quase um terço dos inquiridos a apontar a seleção canarinha, eliminada nos quartos de final pela Croácia em 2022, como a grande potência do futebol mais propensa a desiludir, à frente da Inglaterra e da Alemanha.

A Noruega, impulsionada pelo avançado do Manchester City Erling Haaland, pode ser a grande surpresa, com 21% a vê-la como o outsider com maior capacidade para surpreender, à frente do Japão, com 15%.

A procura das revelações do torneio continua muito em aberto. Os votos dos participantes distribuíram-se por 46 nomes, mas o avançado espanhol de 18 anos Lamine Yamal lidera as preferências.

Mike Maignan, pela França, Emiliano Martinez, pela Argentina, e Unai Simon, por Espanha, estão entre os favoritos para a Luva de Ouro, prémio destinado ao melhor guarda-redes do torneio.

Um Mundial caro

Fora dos relvados, os organizadores enfrentam um enorme desafio logístico, já que milhões de adeptos se preparam para invadir a América do Norte, sendo a questão dos custos já um ponto de tensão.

O custo elevado dos bilhetes, do alojamento e das viagens pelo continente leva a recear que este Mundial seja o mais caro de sempre para os adeptos. Eis a pausa para a inflação.

Mais de 60% consideram que continua a ser mais fácil prever a inflação em 2026 do que apontar o vencedor do maior troféu do futebol, mesmo que os últimos anos tenham colocado a fasquia muito baixa.

"Sabemos quando o Mundial vai terminar", explica Ozan Can Turkmen, da Sekerbank, na Turquia. "Já a crise do abastecimento energético..."