Mundial 2026: Deschamps tenta último troféu para encerrar reinado histórico em França

Mundial 2026: Deschamps tenta último troféu para encerrar reinado histórico em França

Os Bleus deslocam se aos Estados Unidos como líderes do ranking mundial e figuram entre os grandes favoritos ao título.

Tentam alcançar a terceira final seguida do Mundial, após terem vencido o troféu em 2018 e perdido um duelo memorável nos penáltis contra a Argentina em 2022.

Deschamps assumiu o cargo em 2012, quando a França ainda tentava reerguer se do ponto mais baixo alcançado no Mundial 2010, que ficou marcado por um motim do plantel contra o então treinador Raymond Domenech.

Sob a liderança de Deschamps, a França tornou se novamente uma das equipas mais respeitadas no futebol internacional.

"É uma sensação peculiar", disse Deschamps, agora com 57 anos, ao anunciar a sua última convocatória para um Mundial.

"Habitualmente procuro esconder as minhas emoções. No entanto, estou calmo em relação a tudo isto. O que aconteceu pertence ao passado e foi realizado de forma muito competente, se não o tivesse sido, não estaria aqui passados 14 anos. Agora a minha energia está totalmente concentrada neste Mundial".

Prevê se que o ex companheiro de equipa de Deschamps na equipa nacional francesa, Zinedine Zidane, lhe suceda após o torneio.

Entretanto, Deschamps vai tentar levar a França à sua quinta final do Mundial em oito edições e ao terceiro título.

O treinador basco tem um currículo impressionante tanto enquanto jogador como enquanto treinador, tendo liderado o seu país na conquista do Mundial em casa em 1998 e do Euro 2000.

Enquanto médio, tinha 24 anos quando guiou o Marselha à vitória na final da Liga dos Campeões em 1993.

Posteriormente, também ganhou a Liga dos Campeões ao serviço da Juventus, tendo se retirado dos relvados com apenas 32 anos e levado o Mónaco à final da principal prova europeia de clubes em 2004. Mais tarde, venceu um campeonato francês com o Marselha em 2010.

Depois de uma derrota por pouco nos quartos de final diante da futura campeã Alemanha, no calor do Maracanã no Mundial 2014, conduziu a sua seleção à final do Euro 2016 enquanto anfitriã.

Uma derrota no prolongamento contra Portugal no Stade de France foi amarga, mas nessa altura já tinha uma geração promissora de jogadores a emergir, com nomes como Paul Pogba e Antoine Griezmann.

Terceira final seguida?

Kylian Mbappé apareceu mais tarde, tendo se estreado aos 18 anos em março de 2017, e o jovem ponta de lança brilhou ao ajudar a França a vencer o seu segundo Mundial, em Moscovo, em 2018.

Mbappé marcaria um hat trick impressionante na final de Doha em 2022, altura em que a França não conseguiu evitar que Lionel Messi vivesse o seu momento de glória com a Argentina.

Este será o sétimo grande torneio como treinador de Deschamps, que até ao momento conta com um título, duas derrotas em finais e uma presença nas meias finais nesse período.

A França também ganhou a Liga das Nações em 2021 e o próximo treinador terá muito a demonstrar.

Sobretudo, Deschamps é um vencedor, que geralmente favorece a eficácia em vez do estilo, apesar de dispor de muito talento.

Foi alvo de fortes críticas no Euro 2024, quando a França atingiu as meias finais tendo marcado apenas quatro golos em seis jogos, dois deles autogolos e um de penálti.

"Se estiveres entediado, podes ver outra coisa", respondeu Deschamps a uma questão durante esse torneio, insinuando que a França era monótona.

Contudo, a França tem estado muito convincente no último ano, com um sistema 4-2-3-1 que permite incluir no ataque Mbappé, o atual vencedor da Bola de Ouro Ousmane Dembélé e a estrela do Bayern Munique Michael Olise.

Só a Alemanha Ocidental, entre 1982 e 1990, e o Brasil, de 1994 a 2002, conseguiram antes chegar a três finais seguidas do Mundial.

Se conduzir a França à vitória no Estádio MetLife a 19 de julho, tornar se á apenas o segundo treinador a vencer o Mundial por duas ocasiões, depois de Vittorio Pozzo, da Itália, nos anos 30.

Depois, será tempo para um novo desafio.

"Não descarto nada. Estou disponível, como toda a gente sabe. Logo se verá", disse recentemente.