Mundial 2026: Costa do Marfim sem adeptos por falta de visto
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As políticas migratórias extremamente restritivas de Donald Trump estão a dificultar a entrada nos Estados Unidos para cidadãos de vários países, afetando até mesmo os intervenientes do jogo. No sábado, o árbitro somali Omar Artan foi impedido de entrar, apesar de possuir um visto válido.
"Os adeptos desistiram de viajar porque o governo norte-americano não quer ver adeptos de determinados países, incluindo a Costa do Marfim, no seu território. Os Estados Unidos foram claros ao afirmar que não queriam a presença dos nossos adeptos", queixou-se Julien Kouadio Adonis, presidente do Comité Nacional dos Adeptos dos Elefantes (CNSE).
"Esta situação é muito dolorosa para nós, pois impede-nos de cumprir o nosso dever fundamental, que é apoiar a nossa equipa. Poderíamos ter mostrado a nossa cultura e a nossa forma de ser adeptos nas bancadas", acrescentou o responsável deste organismo, que está sob a tutela do Ministério do Desporto.
Apenas um pequeno grupo de dirigentes do CNSE foi autorizado a viajar para os Estados Unidos. Nas suas três participações no Mundial (2006, 2010, 2014) ou nas Taças das Nações Africanas, o organismo costumava enviar várias dezenas de adeptos. Em março, Kouadio tinha declarado à AFP que esperava enviar 500 adeptos para o outro lado do Atlântico.
O papel da pequena dezena de dirigentes do CNSE autorizados a viajar será "enquadrar os adeptos marfinenses que residem nos Estados Unidos", explicou Kouadio, acrescentando que mesmo para esta delegação "não foi nada fácil obter os vistos. Foi preciso conversar, negociar para sermos ouvidos".
"O vosso bilhete não é um visto", advertiu mais cedo este ano o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Estas restrições somam-se ao custo exorbitante dos bilhetes para os jogos e alimentam as críticas em torno de um Mundial cada vez mais distante da base popular dos adeptos de futebol.
A Costa do Marfim vai disputar dois dos seus três jogos da fase de grupos nos Estados Unidos, nos dias 15 e 25 de junho, em Filadélfia, contra o Equador e Curaçau. O segundo jogo, a 20 de junho, será disputado em Toronto, no Canadá, frente à Alemanha.