Mundial 2026: Autoridades da Califórnia examinam potenciais irregularidades nas classificações de venda de ingressos
A apuração ocorre em momento em que torcedores reclamam dos valores altos dos ingressos para a competição deste ano, após notícias de que a entidade responsável pelo futebol comercializou bilhetes conforme classificações exibidas em diagramas dos estádios, porém depois modificou essas classificações antes de designar as posições específicas.
"Os residentes da Califórnia precisam confiar que as posições que compram coincidem com o que é mostrado no processo de aquisição", declarou o Procurador Geral Rob Bonta em nota oficial.
"Esperamos ansiosamente o recebimento das informações pedidas à FIFA, dentro da nossa avaliação em andamento", complementou ele.
O veículo The Athletic relatou no mês anterior que adquirentes de ingressos para o Mundial alegam que a FIFA os "enganou" com diagramas dos estádios que não batiam com a localização verdadeira das posições que estavam comprando.
Mais de três milhões de ingressos para o Mundial 2026, que inicia em 11 de junho e ocorrerá nos Estados Unidos, Canadá e México, foram comercializados em quatro faixas de preço diferentes, com base em diagramas dos estádios coloridos apresentados na internet durante a compra.
Todavia, de acordo com a reportagem, portadores de ingressos de "Categoria 1" foram alocados em áreas que, em certo período, eram marcadas como "Categoria 2".
Em sua correspondência à FIFA, Bonta mencionou que "certos consumidores se sentiram iludidos pois as posições atribuídas a eles pertenciam a uma categoria mais baixa, segundo o diagrama disponível na época da compra."
Ele pediu exemplares e datas das modificações nos diagramas de posições, além do quantitativo de torcedores, caso haja, que receberam ingressos de categoria inferior por causa dessas alterações.
A FIFA informou ao The Athletic que seus diagramas de categorias são meramente "aproximativos" e funcionam como "guia e não como arranjo preciso das posições."
O crescimento acentuado dos preços dos ingressos para o evento quadrienal já gerou uma reação mundial que obrigou a FIFA a lidar com os prejuízos à sua reputação perante o público.
A associação de torcedores Football Supporters Europe (FSE) descreveu a política de preços do Mundial como "abusiva" e uma "traição colossal", destacando valores que tornam o torneio, esperado gerar 13 mil milhões de dólares (9,6 mil milhões de libras) para a FIFA, inacessível para muitos.
O ingresso mais caro para a final em 2022 valia cerca de 1.600 dólares (1.180 libras) no preço oficial; em 2026, o mais elevado comercializado pela FIFA chega agora a impressionantes 32.970 dólares (24.375 libras).
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, argumenta que os preços são apropriados para os Estados Unidos, país que sediará a maior parte dos jogos do torneio, incluindo semifinais e final.