Exclusivo: "24 anos sem ganhar é guerra", dispara Ricardo Rocha, tetra em 1994
O ex-zagueiro concedeu uma entrevista exclusiva em Nova York, onde está acompanhando a Copa do Mundo. Ricardo Rocha definiu como "guerra" o desafio dos 24 anos de jejum e disparou contra as redes sociais na rotina dos jogadores.
Presente nas Copas de 1990 e 1994, o ex-defensor da Seleção relembrou o clima tenso pelas cobranças que se arrastaram desde a eliminação na Itália até a consagração nos EUA. Rocha também enalteceu Vinícius Júnior e mostrou otimismo com a campanha do Brasil.
Confira os principais trechos da entrevista.
Quais são as lembranças que você tem da Copa do Mundo de 1994? Também eram 24 anos sem ganhar.
Pressão... Jogamos no 4 de julho contra os Estados Unidos (Dia da Independência), teve a expulsão do Leonardo. Foi o jogo mais difícil, o mais quente. É considerada a Copa mais quente. Hoje em dia vejo alguns jogos às 19h, 18h. Os nossos eram meio-dia. É difícil, é muito calor. E em Nova York até que está um clima bom. Ainda não esquentou, não. Vai esquentar mais.
E dentro de campo, o Brasil esquenta ou não esquenta? Decola ou não decola nesta Copa?
Decola. A Seleção Brasileira está num bom momento. São três jogos, sete pontos. A gente tem um dos artilheiros da Copa, colado com o Messi, que é o Vini Jr.
Ele te surpreende?
Não, mas se a gente colocar o que foi feito nas Eliminatórias, surpreende muita coisa. Ele vem evoluindo cada vez mais. E na Copa ele está colocando: "Meu irmão, é comigo. Vou resolver. Não tem o Neymar, mas vou tentar fazer o máximo". E ele está dando o sangue. É o melhor jogador do Brasil na Copa.
Você esperava mais de alguém nesta fase de grupos? De alguma seleção?
Não. A maioria das seleções estão aí. Não tem jeito. As fortes estão jogando bem. E outra coisa: é Vini Jr., é Harry Kane... Os caras estão todos marcando gols. Quatro jogadores com quatro gols e um com cinco, que é o Messi. O Real Madrid tem dois jogadores com quatro gols (Mbappé e Vini Jr.). É a força, a potência do futebol mundial. Os caras estão arrebentando.
"Rede social é a pior coisa que tem"
Vinte e quatro anos: vocês chegaram aqui com esse peso. Esta Seleção chega do mesmo jeito, são 24 anos sem conquistar a Copa. Isso pesa na hora?
Pesa. Mexe, e mexe muito. Por isso eu digo cada vez mais: "Saiam do que vem de fora e fiquem dentro", tudo resolvido entre eles.
O quê, por exemplo? Rede social?
Rede social é a pior coisa que tem. Não tinha isso na minha época. Tinha jornal, que a gente também proibiu de entrar. Jornal não entrava.
A crítica incomodava?
Muito, porque era muito pesada. Nem o 7 a 1 foi pior do que os anos 1990. Arrasaram com a era Dunga. Arrasaram. Mas ninguém falava sobre isso. A gente falava em ser campeão. "É a opinião deles. A volta por cima não é estar lembrando aquilo. O que eles pensam é o que eles pensam. E o que nós pensamos é diferente, e vamos mudar".
E agora é só mata, né? Não tem mata-mata.
Perdeu, volta para casa. É o que Zagallo e Parreira falavam para a gente: erro zero. Não dá para errar. E não pode aliviar, é guerra. Vai por mim: 24 anos sem ganhar é guerra. Olha como entra a Argentina quando vai levar o Messi, ali no vestiário, todos eles acompanhando. Parece que vão para uma guerra. A gente tem que ter aquilo ali.
Eu gosto de comparar essas coisas porque dentro de campo os caras arrebentam. Os caras vão para dentro. O Brasil tem que ser assim, cada vez mais, como está. O primeiro jogo foi mais ou menos; o segundo teve o primeiro tempo bom; contra a Escócia foi um bom jogo. O segundo tempo um pouquinho menos, mas jogando bem. Tiraram alguns jogadores que estavam com o cartão. É normal, faz parte do jogo.
Você acredita no hexa? Ou estamos longe das favoritas?
Acredito. Não é que está longe. O Brasil ainda não é o favorito. Mas deixa eles olharem no retrovisor porque o Brasil está chegando.
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