Mundial 2026: Cabo Verde faz estreia apoiado na diáspora após 48 anos de atividade

Mundial 2026: Cabo Verde faz estreia apoiado na diáspora após 48 anos de atividade

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Com o aumento de cinco para nove lugares diretos de qualificação em África, mais um através do playoff, os tubarões azuis escreveram história e vão defrontar a campeã europeia Espanha, o Uruguai e a Arábia Saudita no Grupo H da primeira fase do maior torneio internacional de seleções.

Participando em processos de qualificação apenas desde 2002, Cabo Verde chegou à fase final à sétima tentativa e vai marcar presença na 23.ª edição, que decorre de 11 de junho a 19 de julho e conta pela primeira vez com 48 seleções, entre as quais Portugal, num total de 104 partidas, sob a inédita organização conjunta dos Estados Unidos, México e Canadá.

A seleção comandada por Pedro Brito, conhecido como Bubista, terminou o Grupo D de qualificação africana no topo, lugar único de acesso direto, somando 23 pontos, contra 19 dos Camarões, que ficaram em segundo e depois foram eliminados no playoff, 16 da Líbia, 12 de Angola, seis da Maurícia e três do Essuatíni.

Com quase 525.000 habitantes e 4.033 quilómetros quadrados dispersos por 10 ilhas, Cabo Verde torna-se o 14.º país africano (e o único estreante deste continente na atual edição) a participar em Mundiais, entrando para a história como o terceiro com menor população, apenas atrás da Islândia, que não está presente em 2026, e do também debutante Curaçau, e o segundo mais pequeno em extensão territorial.

Os habitantes das ilhas juntam-se ainda ao seleto grupo de países de língua oficial portuguesa que já competiram no torneio, após Angola, que esteve na fase final apenas em 2006, do Brasil, único pentacampeão mundial (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002) e recordista de presenças (23), e de Portugal, terceiro classificado na sua estreia em 1966 e a caminho da nona participação, a sétima consecutiva.

Antes da histórica estreia no Campeonato do Mundo, Cabo Verde realizou quatro participações na Taça das Nações Africanas (CAN), tendo chegado aos quartos de final na primeira, em 2013, e na mais recente, em 2023, além de ter alcançado os oitavos de final em 2021 e sido eliminado na primeira fase em 2015.

Onze anos atrás, os tubarões azuis foram comandados pelo técnico português Rui Águas, que teve duas passagens, de 2014 a 2015 e de 2018 a 2019, e foi substituído na última por Bubista, o principal responsável pelo auge futebolístico do país.

Ex defesa central e capitão de Cabo Verde, Bubista orientou alguns clubes locais e foi adjunto do português João de Deus e de Lúcio Antunes na seleção, tendo sido promovido a treinador principal em 2020. Em 2025, recebeu o prémio de treinador do ano atribuído pela Confederação Africana de Futebol (CAF).

Bubista deu continuidade ao recrutamento iniciado pelos selecionadores anteriores e convenceu vários jogadores, maioritariamente dispersos por Portugal, França ou Países Baixos, a representar os tubarões azuis, considerando que entre 1,5 e dois milhões de pessoas de origem cabo-verdiana vivem fora do arquipélago.

Dos 26 jogadores convocados para a fase final, 14 nasceram no estrangeiro, incluindo três em Portugal, como é o caso de CJ dos Santos, Wagner Pina, Steven Moreira, Roberto Lopes, Logan Costa, Jamiro Monteiro, Deroy Duarte, Laros Duarte, Hélio Varela, Willy Semedo e Garry Rodrigues.

Também com raízes na diáspora estão Sidny Lopes Cabral (Benfica), Telmo Arcanjo (Vitória SC) e Dailon Livramento (Casa Pia), que representam clubes portugueses, enquanto Vozinha (Chaves), Stopira (Torreense), Yannick Semedo (Farense) e Jovane Cabral (Estrela da Amadora), também a jogar em Portugal, são naturais de Cabo Verde, tal como Ryan Mendes, recordista de internacionalizações (98) e golos (22).

Nenhum dos jogadores convocados por Bubista atua no arquipélago, devido à falta de campeonatos profissionais, estando a maioria espalhada pela Europa e envolvida na transformação da seleção nacional, atualmente na 67.ª posição do ranking da FIFA, depois de ter subido do 182.º lugar em 2000 para o 27.º em 2014.

A estreia no Mundial 2026 compensa a ausência na CAN2025, realizada em Marrocos e que poderia ter garantido a Cabo Verde três presenças consecutivas no principal torneio africano pela primeira vez. Cabo Verde está ativo no futebol internacional desde abril de 1978 e é filiado na CAF e na FIFA há 40 anos.