Mundial-2026: Baixa do Porto volta a ser sala de estar de Portugal numa madrugada de sofrimento e festa

Mundial-2026: Baixa do Porto volta a ser sala de estar de Portugal numa madrugada de sofrimento e festa

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Com um ecrã gigante na Praça D. João I e outro, poucos metros mais abaixo, na Avenida dos Aliados, a cidade voltou a transformar-se em ponto de encontro para mais uma festa portuguesa. Depois da conquista do campeonato pelo FC Porto e das celebrações do São João, a madrugada desta sexta-feira voltou a levar milhares de adeptos às ruas do Porto.

“Esta cidade tem vivido de festa em festa, mas esta foi das mais sofridas. O coração quase não aguentou”, disse João Ferreira, de 34 anos, cachecol de Portugal ao pescoço e voz já marcada pelos festejos.

O ambiente começou confiante, entre bandeiras, camisolas da seleção e cânticos por Cristiano Ronaldo. Mas a Croácia gelou a baixa portuense no arranque da segunda parte, ao adiantar-se no marcador e deixar os adeptos em silêncio, de mãos na cabeça e olhos presos aos ecrãs.

“Foi um balde de água fria. Estávamos todos a acreditar e, de repente, ficou tudo calado. Só se ouvia o jogo”, contou Marta Sousa, de 27 anos, que assistiu à partida nos Aliados com um grupo de amigos.

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A resposta portuguesa surgiu pouco depois. Cristiano Ronaldo ainda fez a multidão explodir, mas o golo foi anulado por fora de jogo. A festa ficou suspensa por instantes, antes de o capitão assumir uma grande penalidade e repor a igualdade, levando a Praça D. João I ao delírio.

“Quando ele pegou na bola, eu sabia que ia marcar. É o Ronaldo. Nestas alturas, acreditamos sempre”, afirmou Rui Almeida, de 46 anos, que veio de Gaia para ver o jogo no centro do Porto.

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A partir daí, Portugal cresceu, o jogo ficou partido e os nervos estavam à flor da pele. A ansiedade tomou conta da multidão até aos 90+3 minutos, quando Gonçalo Ramos marcou o 2-1 e fez rebentar a festa na baixa. Abraços entre desconhecidos, cerveja pelo ar e telemóveis levantados marcaram o momento.

“Foi uma loucura. Abracei pessoas que nunca tinha visto. Parecia que o Porto inteiro tinha marcado aquele golo”, descreveu Ana Martins, de 39 anos.

Mas o sofrimento ainda não tinha terminado. Aos 90+13', a Croácia chegou ao empate e voltou a gelar a multidão. A festa transformou-se em silêncio, até o árbitro consultar o VAR e anular o golo croata, devolvendo a euforia aos adeptos portugueses.

No apito final, a baixa do Porto voltou a cantar por Portugal. Depois do FC Porto e do São João, a cidade encontrou mais uma razão para ficar acordada: uma vitória sofrida, uma passagem aos oitavos de final e um duelo ibérico com Espanha já a mexer com a imaginação dos adeptos.