Luís Tralhão admite “mágoa” mas destaca temporada “espetacular” do Torreense

Luís Tralhão admite “mágoa” mas destaca temporada “espetacular” do Torreense

A mágoa que sentimos é por terminarmos com os mesmos pontos que a equipa que subiu diretamente (Académico de Viseu). Dá a impressão de que estivemos tão perto e não conseguimos a subida direta. Temos de reconhecer o mérito do Académico de Viseu, pois foi uma equipa excelente ao longo de todo o ano”, afirmou o treinador em entrevista à Lusa, depois de já ter realçado uma temporada espetacular que culminou também com a inédita conquista da Taça de Portugal diante do favorito Sporting.

A equipa da região Oeste terminou a Liga 2 no terceiro lugar, mas com os mesmos pontos que o Académico de Viseu, ambos com 59 pontos.

No entanto, após ter sido anulado o critério de desempate pelo confronto direto – cada equipa venceu um jogo pela margem mínima –, foi a diferença de golos que decidiu a promoção direta, fator que beneficiou a equipa viseense e que empurrou o Torreense para o play-off.

Os azuis e grenás acabaram por ceder diante do Casa Pia, que tinha terminado a Liga na 16.ª e antepenúltima posição. Na primeira mão, disputada em Torres Vedras, as duas equipas empataram a zero, com a eliminatória a ser decidida uma semana depois, quando os ‘gansos’ venceram por 2-0 no Estádio Municipal de Rio Maior, que serve de casa aos casapianos.

O desfecho do play-off, de resto, deixou também alguma “mágoa”.

A mágoa do play-off é sentir que, sem desmerecer o que o Casa Pia fez – dou-lhes os parabéns por terem ficado, foram muito competentes –, não ficámos a dever nada ao Casa Pia. Pelo contrário. Fica a tristeza de ter perdido o play-off contra uma equipa muito difícil, mas que senti que tínhamos capacidade para vencer. É a mágoa que temos, mas faz parte”, disse.

Ainda que considere que tenha havido alguma falta de “sensatez” da “parte de quem organiza” a competição.

“Compreendo que há um calendário a cumprir e que existem prazos, entendo isso, mas quando se percebeu que era o Torreense que ia disputar o play-off e a final da Taça, especialmente uma equipa que vem da Liga 2 e que não está preparada para jogos de três em três dias, podia ter-se dado uma margem, sobretudo entre o jogo da Taça e a segunda mão do play-off, maior do que a que foi dada”, lamentou.

Refira-se que o Torreense disputou o play-off de acesso à Liga com a final da Taça de Portugal pelo meio, situação que obrigou o clube a disputar três jogos decisivos em apenas oito dias.

Contudo, e sem se querer escudar no contexto, Luís Tralhão enfatiza uma temporada “espetacular”.

Se me perguntassem na sexta-feira, no dia seguinte ao (segundo) jogo do play-off, sabia-me agridoce. Estava frustrado porque o nosso principal objetivo era, desde há alguns meses, subir de divisão. E quando não atingimos o objetivo… se olhar para a árvore não estou a ver a floresta inteira e na sexta-feira estava mesmo triste”, recordou.

Dias depois, e no momento da entrevista à Agência Lusa, Luís Tralhão admitiu já conseguir vislumbrar “as outras” (árvores) e, por isso, considera a temporada “espetacular” e “brutal”.

Depois de ter alcançado o melhor arranque de sempre do clube na Liga 2, o Torreense perdeu algum fulgor no mês de dezembro, num ciclo negativo que culminou na saída do treinador Vítor Martins, que tinha iniciado a temporada no comando técnico, mas que fora substituído nessa altura por Luís Tralhão, promovido da equipa de sub-23 da equipa do distrito de Lisboa.

A mudança, de resto, teve impacto imediato. O Torreense venceu os quatro jogos seguintes e lançou-se novamente na luta pelos lugares cimeiros do campeonato, que manteve até ao final da época, mas que não permitiu o regresso à Liga 34 anos depois.

A esperança de que tal desiderato possa acontecer a médio prazo, essa, continua a existir.

Acredito que o Torreense, num horizonte temporal de curto/médio prazo, vai lá chegar. O clube tem vindo a dar passos cada vez mais consistentes nesse sentido, não só na afirmação do futebol profissional, como na Liga Revelação, no futebol feminino, que vai competir na Liga dos Campeões, no futsal, que tem vindo a cimentar a sua posição na 1.ª Divisão…”, justificou, notando que “mais dia, menos dia”, vai chegar “a vez” do Torreense.