Liga mexicana confirma o fim da promoção e despromoção
No mesmo dia em que foi anunciada a chegada de Juan Manuel Lillo à equipa técnica da seleção mexicana de futebol liderada por Rafael Márquez, os dirigentes da Liga MX colocaram o ponto final numa das medidas mais anticompetitivas do campeonato mexicano ao confirmarem o desaparecimento da promoção e despromoção no principal escalão e na Liga Expansão.
O anúncio, em clara sintonia com a medida, não foi divulgado num comunicado, mas sim incluído num pequeno ponto do regulamento de competição para o Apertura 2026. Conscientes do desagrado que a decisão iria causar, os dirigentes não tiveram coragem de o comunicar a uma massa adepta que implora por uma competição doméstica mais equilibrada.
Um entrave económico
“Na sequência do acordo tomado pelo Comité Executivo da Federação Mexicana de Futebol (FMF), a partir da temporada 2026/2027, os clubes que integram a Liga MX não descerão à Expansão MX, do mesmo modo que os clubes da Expansão MX não subirão à Liga MX”, podia ler-se no regulamento da Liga MX, sem apresentar um argumento claro para a decisão.
A promoção e despromoção, suspensas abruptamente na era da covid-19 para proteger os interesses comerciais e económicos dos clubes, acabaram por se tornar um entrave para os dirigentes quando surgiu a possibilidade de um investimento milionário por parte de um conglomerado empresarial para gerir os direitos televisivos das equipas da Liga MX.
No entanto, para além da exigência de transparência nas contas, que assustou os proprietários dos clubes, o sistema competitivo também não se enquadrava nos parâmetros necessários para criar um consórcio milionário em bloco que pudesse injetar grandes quantias de dinheiro em cada instituição do futebol mexicano.
O sonho americano
Com o dinheiro como única prioridade, os dirigentes começaram a lançar a ideia e o objetivo de transformar o desporto mais apaixonante e popular do país numa competição ao estilo dos Estados Unidos, onde os clubes são franquias estabelecidas que não correm o risco de perder a categoria.
“Se queremos concretizar o investimento, temos de acabar com a promoção e despromoção”, foi a mensagem clara em várias das últimas reuniões de proprietários realizadas. Conscientes da impopularidade da decisão, os dirigentes não tiveram melhor ideia do que incluí-la discretamente num documento de várias páginas que constitui o regulamento da competição que arranca esta quinta-feira.
Um golpe certeiro na paixão que parecia ter renascido este verão e que a ganância de alguns acabou por manchar, como já o vêm fazendo há muito tempo, sem se importarem com as consequências desportivas, já evidenciadas no principal palco do futebol mundial, que poderão agravar-se daqui para a frente.