Da euforia à desolação: assim se viveu a meia-final nos pubs de Londres

Da euforia à desolação: assim se viveu a meia-final nos pubs de Londres

Recorde as incidências do encontro

"Queria ter esperança, mas a esperança foi-se", disse à AFP Sean Bannon, um homem de 33 anos que olhava perplexo para o televisor de um pub no norte de Londres, ainda sem acreditar que a sua seleção tivesse desperdiçado daquela forma uma oportunidade histórica.

Só uma vez Inglaterra conseguiu chegar a uma final do Mundial e foi há 60 anos, pelo que gerações e gerações de adeptos do país da todo-poderosa Premier League nunca viram os seus Três Leões rugir no jogo mais importante do torneio mais prestigiado.

Aquele pub londrino era um exemplo do que se vivia em todo o país. Até dezenas de pessoas acompanhavam o jogo da rua, espreitando pelas janelas, porque já não cabia mais ninguém lá dentro.

"Escapa-nos outra vez. Suponho que voltamos ao ponto de partida", acrescentava Bannon, antes de abandonar o local.

Noutro ponto do animado bairro de Camden Town, o desfile de rostos sérios à saída dos pubs e dos estabelecimentos que transmitiam o jogo na televisão era eloquente, apesar do silêncio.

"Estou muito triste, muito desiludida. Acreditava que desta vez ia mesmo ser... e as coisas estavam a correr bem!", lamentava Jemima, uma estudante de 21 anos vestida com a camisola da seleção.

Silêncio e resignação

Durante o torneio, os adeptos deram a sua própria banda sonora aos jogos de Inglaterra, cantando a plenos pulmões a música dos Beatles "Hey Jude" — em homenagem ao seu jogador Jude Bellingham — ou a popular "It's coming home", mas depois do jogo só havia vontade de ficar em silêncio.

O cortejo silencioso, quase fúnebre, só era interrompido nesta zona de Londres por algum grito de frustração ou de raiva, como o de uma mulher que deu um pontapé num cone de trânsito de plástico laranja.

Para muitos no país, era a primeira vez que viam a Inglaterra a jogar contra Argentina, já que o último jogo num grande torneio deste duelo de grande rivalidade, que vai além do futebol, remontava ao Mundial de 2002, quando os europeus venceram por 1-0.

Houve um amigável em 2005, também com vitória inglesa (3-2), mas antes da "era Messi".

Tom Denison, de 31 anos e trabalhador do setor tecnológico em Camden, foi uma das 300 pessoas que encheram o pub Edinboro Castle para ver o jogo num ecrã no exterior.

"Todos sabemos que é a primeira vez que a Inglaterra joga contra (Lionel) Messi e que Messi joga contra a Inglaterra. Era o jogo que todos estávamos à espera!", contava.

"Obviamente, está carregado de história", disse, referindo-se ao célebre golo da "Mão de Deus" de Diego Maradona no Mundial do México 1986 e à disputa pela soberania das ilhas Malvinas (Falkland Islands em inglês).

Emily Dolling, de 25 anos, previa que a manhã de quinta-feira será "uma das piores depressões", enquanto a sua amiga Sadie Nencini tentava manter-se positiva.

"Fizemos um bom torneio, por isso acho que as pessoas vão sentir-se orgulhosas na mesma. Estiveram bem!", declarava Sadie à AFP.