Liga dos Campeões: Arsenal tem de evoluir depois do desaire com o PSG
Depois da dura derrota por penáltis contra o Paris Saint-Germain em Budapeste no sábado, o objetivo não é apenas regressar o mais rápido possível, mas também, finalmente, conquistar o troféu. Após vencer a Premier League pela primeira vez em 22 anos, Mikel Arteta e a sua equipa mostraram que estão de volta ao topo, mas o confronto com os novos bicampeões europeus revelou aspetos a aperfeiçoar.
O treinador dos gunners assegurou que a sua equipa consegue terminar com este martírio, depois da quinta derrota seguida numa final europeia, se evoluir de maneira inteligente e célere.
"Queremos alcançar um novo nível e teremos de demonstrar essa ambição porque somos mais do que capazes, mas vai exigir muito esforço. Temos de ser muito ambiciosos, muito rápidos e muito inteligentes", afirmou o espanhol.
Arteta e os seus jogadores foram forçados a assistir amargamente ao troféu que o clube ainda não conquistou, ao receberem as medalhas de segundo classificado na Puskas Arena. Os erros nos penáltis de Eberechi Eze e Gabriel Magalhães, depois de um empate 1-1 ao fim de 120 minutos, destruíram o sonho de escrever um novo capítulo na história do clube.
O desfile de celebração do título inglês em Londres, no domingo, foi festivo, mas decorreu debaixo da sombra do que poderia ter sido, e do que um dia ainda poderá ser. Arteta realçou o calibre e a qualidade dos atacantes do PSG, sinalizando que as duas equipas não se encontram ao mesmo nível nesse aspeto.
"O que eles são capazes de fazer com a bola, com iniciativas individuais, nunca vi", disse o treinador, insinuando que a sua própria equipa precisa de se reforçar no verão se quiser superar a potência dominante da Europa.
Arteta declarou que muitos dos seus jogadores não estavam na melhor "forma", depois de uma temporada desgastante, na qual recorreu frequentemente a um grupo reduzido de atletas.
Na temporada passada, o Arsenal contratou Eberechi Eze, Viktor Gyokeres, Martin Zubimendi e Noni Madueke, entre outros, mas Arteta começou com os quatro no banco na final. Na maioria do tempo, ao longo de seis temporadas e meia no comando, o Arsenal trabalhou com investimento limitado e apostou na formação de jovens como Bukayo Saka.
Kai Havertz foi titular e marcou pela segunda vez na carreira numa final da Liga dos Campeões, mas o Arsenal ainda precisa de opções mais robustas ao lado do internacional inglês Saka.
Sobretudo quando comparado com o ataque do PSG, que inclui o vencedor da Bola de Ouro Ousmane Dembélé, o melhor marcador desta edição da Liga dos Campeões, Khvicha Kvaratskhelia, e o explosivo francês Desiré Doué. O PSG marcou 45 golos na competição, igualando o recorde estabelecido pelo Barcelona em 1999-00.
Ajuste de percurso
A perceção geral é que a abordagem do Arsenal também precisa de evoluir e melhorar. Esta temporada, a equipa demonstrou-se notavelmente sólida a nível defensivo, sem perder nenhum jogo na competição antes da final, e sofrendo apenas sete golos, incluindo o penálti de Ousmane Dembélé que levou o jogo para prolongamento.
Contudo, o Arsenal obteve apenas 25% de posse de bola contra o PSG e apenas um remate na baliza em 120 minutos. O clube sabe que, jogando como fez esta temporada, é possível vencer a Liga dos Campeões, especialmente considerando o quão perto esteve, mas não é provável.
"O PSG foi o único que quis jogar", afirmou João Neves à M6.
O Arsenal teve a sorte de enfrentar o Atlético de Madrid e o Sporting no percurso até à final, em comparação com o lado mais difícil do sorteio do PSG. No futuro, os adversários vão encontrar maneiras de defender melhor contra os lances de bola parada e vão imitar as táticas. O futebol raramente permanece estático.
"Talvez não dure muito tempo, o futebol é assim: 'hoje é verdade, amanhã é mentira', mas hoje podemos afirmar que somos os melhores da Europa", observou o médio do PSG Vitinha, enfatizando que até os vencedores têm de continuar a evoluir.
O lado positivo é que Arteta percebe isso e, apesar de se queixar que o Arsenal não teve sorte nas decisões da arbitragem, não se vai esconder atrás disso.
"Temos de fazer melhor. Teremos de melhorar e encontrar outras margens para alcançar o resultado que desejamos", afirmou Arteta.
Não é necessária uma revolução, mas sim um ajuste de percurso de alguns graus para se tornarem mais perigosos em jogo aberto, mantendo a solidez defensiva.