Líder do Belenenses evoca Vicente Lucas como lenda e imortal
"Vicente representa um conjunto de qualidades que se tornam cada vez mais difíceis de ver no desporto, o que o torna uma figura de referência absoluta, daqueles jogadores que se transformam em lendas eternas, sem dúvida", afirmou Patrick Morais de Carvalho, no campo do Estádio do Restelo, em Lisboa, perante os jornalistas.
O responsável máximo do Belenenses destacou a forte ligação entre o atleta e o emblema da capital, que ficará para sempre gravada na sua narrativa: "Vicente afirmava frequentemente que o Belenenses significava tudo para si, o que carrega um significado profundo e simbólico para toda a comunidade azul".
"Ele foi uma pessoa que sempre manteve uma conduta exemplar e digna até ao fim, e ao saber da notícia, apesar de não ser algo surpreendente, senti uma genuína tristeza e emoção, pois tratava-se de um amigo verdadeiro", acrescentou o líder da formação da cruz de Avis.
Vicente Lucas faleceu na terça-feira, com 90 anos de idade. Nascido em Moçambique, mas detentor de dupla nacionalidade, acumulou 20 jogos pela equipa principal de Portugal, incluindo quatro na fase final do Mundial de 1966, realizado em Inglaterra.
O central participou em todos os minutos nas vitórias de Portugal no Grupo 3 da fase inicial contra a Hungria (3-1), a Bulgária (3-0) e o Brasil (3-1), partida em que se notabilizou pela vigilância sobre o atacante Pelé. Jogou igualmente os 90 minutos na reviravolta contra a Coreia do Norte (5-3) e na vitória perante a antiga União Soviética (2-1), que garantiu a Portugal uma histórica medalha de terceiro lugar.
Ao nível dos clubes, apenas envergou a camisola do Belenenses como profissional, disputando 284 partidas entre 1954 e 1967, e conquistando uma Taça de Portugal na época 1959/60, numa final vencida ao Sporting de Lisboa (2-1).
No Estádio Nacional, em Oeiras, Vicente Lucas foi o capitão e assistiu ao golo marcado pelo seu irmão Sebastião Lucas da Fonseca, mais conhecido como Matateu e outro dos lendários magriços, que selou a reviravolta da equipa azul, na altura comandada pelo técnico brasileiro Otto Glória, o mesmo que liderou Portugal na sua primeira participação no campeonato mundial de seleções.
Com o falecimento de Vicente Lucas, que chegou a orientar o Belenenses como treinador, restam apenas quatro dos 22 selecionados por Portugal para o Mundial de 1966, a saber António Simões, José Augusto, Hilário Conceição e João Lourenço.