Justiça da Colômbia ordena confisco de casa do goleiro Higuita vinculada a Pablo Escobar

Justiça da Colômbia ordena confisco de casa do goleiro Higuita vinculada a Pablo Escobar

"El Loco" Higuita, conhecido mundialmente por suas excêntricas acrobacias e saídas arriscadas, está no centro de uma investigação que o Ministério Público iniciou há 12 anos para apurar a origem de uma casa que ele comprou em um bairro nobre de Medellín, a cidade onde nasceu.

Por meio de "manobras" e assinaturas falsas, disse o Ministério Público à AFP nesta quinta-feira (9), tentou-se "encobrir a procedência" da propriedade, sujeita a "sucessivas transferências (...) para ficar, finalmente, em nome do ex-jogador" um ano antes de Escobar ser abatido — o rei da cocaína e líder do sanguinário cartel de Medellín.

A investigação determinou que a casa havia sido adquirida anteriormente por um laranja dos irmãos William e Gerardo Moncada, membros do cartel assassinados em 1992 dentro de uma prisão por ordem do próprio Escobar.

"É pura e mera coincidência", disse Higuita na quinta-feira em entrevista à Blu Radio. Ele afirmou se considerar uma "vítima dessas circunstâncias", que desconhecia a origem do bem, e recorreu da decisão da justiça.

O goleiro, que disse ter comprado o imóvel com suas economias, poderá manter a propriedade até que seu recurso seja julgado.

"Naquela época dos anos 90 não havia a tecnologia que existe hoje, em que você entra na internet e pode verificar a procedência de uma casa", acrescentou o ex-jogador do Atlético Nacional de Medellín e do Real Valladolid, hoje treinador de goleiros.

Alegre e dono de um característico cabelo cacheado, Higuita ficou famoso no mundo inteiro pelo "escorpião" — uma defesa acrobática com os pés suspensos no ar que exibiu pela primeira vez em um amistoso da Colômbia contra a Inglaterra em 1995.

Também é lembrado por escândalos de consumo de drogas e por sua detenção em 1993 após visitar Escobar na prisão. Foi investigado depois de intermediar a libertação da filha de um narcotraficante sequestrada pelo capo — uma gestão pela qual recebeu um pagamento proibido por lei. Posteriormente, foi inocentado.

"Desde então me apelidaram de amigo de Pablo Escobar, e você não imagina a quantidade de problemas que isso me trouxe", disse.