Finanças marcam eleições do Vitória SC com recorde de candidatos

Finanças marcam eleições do Vitória SC com recorde de candidatos

A discussão sobre os valores do passivo, que ronda os 75 milhões de euros (ME), e do capital próprio da SAD, que estava negativo em 24 ME no final da temporada 2024/25, bem como as possíveis soluções para reduzir o défice crónico entre receitas e despesas, apenas compensado pelas vendas de jogadores, é comum aos quatro candidatos à sucessão de António Miguel Cardoso.

Eleito pela primeira vez em 2022, com 62,5% dos votos contra Miguel Pinto Lisboa e Alex Costa, e reeleito no ano passado, com 89,4% face a Luís Cirilo Carvalho, António Miguel Cardoso demitiu-se da presidência a 14 de abril, no final de uma época em que prometera sair se a equipa ficasse abaixo do quinto lugar no campeonato, o que acabou por acontecer, com o nono posto.

Esta decisão antecipou uma corrida eleitoral que estava prevista para março de 2028, com Belmiro Pinto dos Santos (lista A), Júlio Vieira de Castro (lista B), Viriato Sampaio (lista C) e Rui Rodrigues (lista D) a liderarem as candidaturas entregues à mesa da assembleia-geral a 14 de maio e validadas no dia seguinte.

Marcadas para o Pavilhão Desportivo Unidade Vimaranense, com as urnas abertas entre as 09:00 e as 19:00, as eleições vitorianas juntam pela primeira vez quatro listas, número que supera os trios de 2007, quando Emílio Macedo da Silva venceu Manuel Rodrigues e André Pereira, de 2019, em que Miguel Pinto Lisboa foi eleito frente a António Miguel Cardoso e Daniel Rodrigues, e de 2022.

Presidente da mesa da assembleia-geral entre 2022 e 2025, Belmiro Pinto dos Santos defende um maior investimento no plantel, com o apoio de uma holding norte-americana e a redução de custos na estrutura que suporta o futebol, que estará a cargo de Ricardo Pimenta Machado, candidato a vice-presidente, e do ex-treinador Manuel Machado, como diretor técnico.

Um dos protagonistas das eleições mais equilibradas da história do Vitória SC, ao perder para Júlio Mendes depois de obter 47,6% dos votos, em 2018, Júlio Vieira de Castro regressa às urnas com a intenção de aprofundar a parceria com o fundo V Sports, proprietário dos ingleses do Aston Villa e detentor de 29% da SAD, e de apostar na formação.

Viriato Sampaio considera, por seu lado, que é preciso reestruturar o passivo da SAD e alargar o seu prazo, através de um empréstimo obrigacionista entre 75 a 100 milhões de euros, a ser pago num horizonte de 20 a 30 anos, e aposta em Diogo Boa Alma para o cargo de diretor desportivo.

Ainda em funções na direção demissionária, como vice-presidente para a área financeira, Rui Rodrigues quer aprofundar a ligação ao fundo V Sports, reforçar a presença da formação no plantel principal de futebol, entregar o cargo de diretor desportivo ao ex-jogador Fernando Meira e prolongar o prazo de pagamento de parte das dívidas.

Num clube em que cada sócio tem direito a um voto, o recorde de afluência às urnas data de 24 de março de 2018, com 7274 associados a exercerem o seu direito nas eleições que opuseram Júlio Mendes a Júlio Vieira de Castro.