FIFA afasta árbitro somali do Mundial após EUA recusar entrada

FIFA afasta árbitro somali do Mundial após EUA recusar entrada

"A FIFA não interfere nos procedimentos de imigração do país anfitrião, incluindo a emissão de vistos, e foi informada pelas autoridades de que a situação de Artan não será alterada neste momento", explicou a entidade num comunicado.

Saiba mais sobre a entrada recusada ao árbitro somali

"Tal como em competições anteriores organizadas pela FIFA, o governo do país anfitrião tem a última palavra sobre quem recebe visto e quem é admitido no seu território", acrescenta a nota.

Ainda não se conhecem os motivos desta expulsão, já que Artan possuía um visto válido, afirmou Ciise Aden Abshir, conselheiro do Ministério da Juventude e Desportos da Somália, em entrevista à AFP.

A Somália é um dos vários países cujos cidadãos estão sujeitos a uma proibição de viagem aos Estados Unidos, imposta pelo governo de Donald Trump.

Artan "é um dos árbitros mais respeitados de África e (...) recusar a sua entrada nos Estados Unidos e impedi-lo de trabalhar (...) prejudica não apenas ele pessoalmente, mas também mina o compromisso do futebol com a equidade, o mérito e o espírito de fair play", lamentou Abshir.

"A comunidade do futebol deve apoiá-lo neste momento difícil", acrescentou o conselheiro, que é ex-capita da seleção da Somália.

Somália na mira de Trump

Omar Artan seria o primeiro árbitro somali a apitar jogos do Mundial. Aos 34 anos, ele estava entre os 52 selecionados para trabalhar na edição deste ano do torneio, organizada em conjunto pelo Canadá, México e Estados Unidos.

No quadro da FIFA desde 2018, Artan atua na liga da Somália e foi eleito Árbitro do Ano pela Confederação Africana de Futebol (CAF) em 2025.

Veja a tabela do Mundial

"Elogio os esforços, o profissionalismo e a integridade demonstrados pelo árbitro Omar, que se tornou uma inspiração para a nova geração de somalis", disse o presidente da Somália, Hassan Sheikh Mohamud, quando Artan foi escalado para o Mundial, em abril.

A Somália está na mira de Donald Trump. No final de novembro, o presidente americano descreveu o país como "podre" e declarou a sua intenção de acabar com o estatuto especial que protege os cidadãos somalis da deportação.